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sábado, outubro 20, 2012

Mais uma medalha

O inquérito anual da KPMG sobre impostos sobre o rendimento (aqui) mostra que em 2012 continuamos bem posicionados. O relatório só tem gráficos para 100,000$ (este aqui em baixo) e para 300,000$. Suponho que para salários mais "portugueses" ainda estejamos "melhor" classificados, já que o que cá é considerado um bom salário (digno de ser já bem taxado) em muitos países europeus é um salário de miséria (isento ou quase), mas percebe-se que esses salários não interessem a quem lê relatórios da KPMG.


Isto foi em 2012. Em 2013 o IRS aumentará 30% o que, se os restantes países não se despacharem também, nos deve colocar no topo ou pelo menos valer uma medalha. Obrigado Vítor.

domingo, setembro 30, 2012

Pointless pain

Where does austerity fit in to this story? Mostly it doesn’t. Shaving an extra couple of points off the structural deficit will make very little difference to long-run solvency, nor will it do much to accelerate the pace of internal devaluation. It will, however, depress employment even further and inflict a lot of direct suffering too through cuts in social programs.

Why do it, then? Partly it’s because Europe is still operating on the false theory that this is essentially a fiscal issue; partly it’s to assuage the Germans, who remain convinced that those lazy Southern Europeans are getting away with something. In effect, the policy is to inflict pain for the sake of inflicting pain.

Which brings us to the question: can this go on? When do the people of the afflicted economies say that they can bear no more?

The news from Spain, with vast protests and talk of secession, suggests that this moment may be approaching fast. Also, while Greece has long since ceased to be the epicenter, things seem to be breaking down there too.

I really do think Draghi has done very well. But he can’t make internal devaluation work on his own, and he can’t save Europe if its leaders continue to think that gratuitous infliction of pain is sound policy.

Paul Krugman, aqui, sublinhados meus

sábado, setembro 22, 2012

Da Produtividade

Um operário português produz uma cadeira por hora, que depois é vendida a 25€. Para simplificar, digamos que tem uma produtividade de 25€ /hora.

Um operário italiano produz uma cadeira a cada 2 horas, mas que depois (qualidade, design, marca, etc), é vendida a 100€. Produtividade: 50€ / hora.

Um operário sueco produz cadeiras que são vendidas depois a 10€, mas consegue produzir 10 por hora pois só tem que controlar a máquina que faz cadeiras. Produtividade: 100€ / hora.

O que há a fazer? A mim parece-me claro: cortar o salário do mandrião português. É que o sacana, além de produzir pouco, ainda teve a distinta lata de comprar algumas dessas cadeiras para a sua sala de jantar, o que é claramente viver acima das suas possibilidades.

(comentado aqui)

quarta-feira, setembro 19, 2012

A TSU e outras desgraças

A ir para a frente a medida anunciada, muitos trabalhadores ficarão sem 10% ou mais do seu salário. Anualmente perdem um salário e meio, ou até mais. Para que serve afinal o aumento da TSU, para os trabalhadores, de 11 para 18%? Ora bem, para tudo. E para nada.

A primeira explicação foi que teria como objectivo reduzir o défice, indo de acordo com a distribuição mais equitativa da austeridade exigida pelo Tribunal Constitucional. No entanto, e como esta subida foi compensada por uma descida para os empregadores, não era fácil que esta justificação colasse.

Rapidamente se mudou de narrativa: é uma tentativa de ajudar as empresas de forma a evitar mais despedimentos, e até a criar novos empregos. Com a economia que temos, no entanto, ninguém acredita nisso: a enorme diminuição no consumo interno vai ter precisamente o efeito contrário. Até as próprias empresas, as supostamente beneficiadas, vieram a público mostrar-se contra esta medida. Também não será para isto, portanto.

É para quê então? Desvalorização fiscal, dizem eles, para equilibrar a nossa balança comercial. Está desequilibrada, já se sabe (e não é de agora). Para uns porque temos poucas exportações, para outros porque temos demasiadas importações.

A justificação que se ouve mais por estes dias é que o objectivo é aumentar as exportações. E pode haver quem acredite, claro. A não ser que faça contas. Uma redução de cinco qualquer coisa por cento dos custos do trabalho reduzirá os custos totais das empresas exportadores em, para sermos simpáticos, dois por cento. Alguém acredita seriamente que com estes 2% vamos aumentar as exportações? Pois.

Só sobra o outro lado da equação. O verdadeiro, mas que ninguém quer admitir: diminuir as importações. E ninguém quer admitir porque não vamos fazê-lo por "boas" razões (porque conseguimos produzir internamente, diminuindo a dependência do exterior) mas pelo (anunciado, é verdade) empobrecimento do país. Vamos deixar de comprar simplesmente porque nos vão tirar o dinheiro para o fazer; e quem não tem dinheiro não tem vícios.

Com isto vamos finalmente atingir o nirvana, aka balança comercial equilibrada. E tudo irá pelo melhor no melhor dos mundos possíveis. Finalmente, Portugal ficará bem. Infelizmente, os Portugueses ficarão na merda.


E o pior de tudo, como se sabe, não é isso. O pior é que, foi hoje confirmado, o Luisão também está castigado para as competições europeias. Também já é demais, pá, raisquilhe os alemães.

Mais uma razão (como se fosse necessário) para mudar de PM

Toca lá a arranjar outro primeiro-ministro, que a Maria quer receber o prémio.

sábado, janeiro 14, 2012

Influências

Tanto o Governo como os nomeados para o CGS da EDP insistem que foram escolhidos apenas pelos accionistas. E o pior é que acredito.

Se tivesse sido o Governo a colocar esta gente na EDP significaria que de alguma forma o Estado (ou seja, em princípio, "nós todos") ainda mantém de alguma forma influência na empresa. E com isso posso eu bem.

Sendo a EDP a escolher estes nomes, todos eles ligados aos partidos no poder, isso significa que essa empresa chinesa, que em Portugal ainda actua em grande parte num mercado regulado, considera que colocando lá os amigalhaços conseguirá influenciar as decisões dos reguladores. E isso já me deixa menos descansado, confesso.

domingo, novembro 13, 2011

Azar

Inúmeras vezes tentaram implementar medidas que mudassem Portugal. Sem sucesso.

É um azar do caralho que desta vez vão conseguir, agora que o objectivo declarado é empobrecer o país.

terça-feira, outubro 25, 2011

Equidade

À primeira vista este orçamento é realmente pior para a função pública, e até comentei isso ali em baixo. Mas também me parece aceitável o argumento que ou era isto ou despedimentos em massa (falava-se em 50 a 100 mil), e vejo pouca gente a defender que se deveria ter optado pelos despedimentos (ainda que aí sim o corte na despesa seria estrutural, e não apenas por 2 anos). E a verdade é que se no público se optou por baixar para evitar despedir, no privado não houve opção: por despedimentos ou por falências já centenas de milhar perderem mesmo o emprego.

domingo, outubro 23, 2011

O guia

Estive fora e não segui tudo, mas pelo que percebi o Khadafi foi bombardeado com uma bala na cabeça, certo?


Entretanto, mesmo após a sua morte, o grande enigma à volta de Khadafi continua: como raio se escreve o nome do homem?

sexta-feira, outubro 14, 2011

Bens essenciais

O IVA dos livros vai-se manter, pelo que parece, com a taxa reduzida. É a vantagem de por cá se ler pouco: o Passos deve ter achado que se alterasse a taxa também não ia daí tirar grande receita.

quinta-feira, outubro 13, 2011

First they came

First they came for the communists, and I didn't speak out because I wasn't a communist. Then they came for the trade unionists, and I didn't speak out because I wasn't a trade unionist. Then they came for the Jews, and I didn't speak out because I wasn't a Jew. Then they came for me and there was no one left to speak out for me.

Agora repetir com "primeiro foi a função pública..."

Contas

Os portugueses há muito se habituaram a ter que fazer contas à vida dependendo de terceiros.

Mas até aqui era só no futebol.

14 vezes pouco é pouco na mesma

Parece que passa a imagem lá para fora, até falando com estrangeiros, que os portugueses são uns mandriões que trabalham 11 meses e recebem 14. Seria importante que alguém explicasse a esses estrangeiros quanto ganha um português ao ano, de forma que pudessem comparar com o seu próprio salário.

terça-feira, outubro 04, 2011

Nós, redículos



Francisco Van Zeller - "Não podemos evitar que haja manifestações na rua, era muito esquisito, éramos um povo de molengas se por acaso não fossem para a rua, já viu que ridículo que era este povo aceitar estes sacrifícios e não ir para a rua, não fazer barulho, não fazer um desfile, não fazer uma greve, parecíamos parvos... ou mortos."

quinta-feira, julho 28, 2011

Os super ricos

Nem de propósito. Ontem, aqui neste blog:





Hoje:

quarta-feira, julho 27, 2011

domingo, julho 17, 2011

Information is beautiful



(roubado daqui)

segunda-feira, julho 04, 2011

O sentido de humor deste senhor é muito subestimado

A situação actual no nosso país não é uma fatalidade e os portugueses devem de facto pensar isso mesmo. Se cumprirmos rigorosamente os compromissos que assumimos perante as entidades internacionais, há uma grande possibilidade de melhores dias chegarem no futuro.
(Prof. Aníbal Cavaco Silva, este fim de semana)

sexta-feira, julho 01, 2011

Isto está é prós precários

Depois dos cortes até 10% dos vencimentos da função pública, o resto do povo assaliariado leva agora um corte de 50% no subsídio de Natal. Os precários são, sem dúvida, os que menos contribuem neste esforço para tirar o país da crise.

Borá lá portanto desalapar do Rossio e dar espaço a quem realmente tem razões de queixa.


PS: sabemos que isto já não tem volta a dar quando um governo supostamente de esquerda corta nos salários dos funcionários públicos, e um governo de direita inventa impostos novos

quinta-feira, maio 19, 2011