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domingo, outubro 09, 2011

Midnight in Paris

Desta vez é um improvável Owen Wilson que faz de Woody Allen. E como não gostar de uma personagem que frequenta a Shakespeare and Co?


(fotos Dezembro 2009)

PS: O argumento para este filme, como se sabe, anda na cabeça do senhor há meio século. Ah, os sixties...

sexta-feira, junho 06, 2008

Citizen Plainview

I hate most people. There are times when I look at people and I see nothing worth liking. [...] I want to earn enough money I can get away from everyone. I can't keep doing this on my own, with these.. people..
(There Will Be Blood)

quarta-feira, abril 16, 2008

A arte, a vida e os escafandros

Um ano e meio depois voltei a entrar numa sala de cinema. A ausência foi forçada, ainda que pelo melhor motivo possível.

O regresso calhou ser com O escafandro e a borboleta. O filme é inspirado em factos reais (a arte imita a vida): Jean-Dominique Bauby, jornalista e editor da Elle francesa, sofre um AVC e, paralisado, passa a poder comunicar apenas através do seu olho esquerdo. É a história de alguém que, recorrendo à imaginação, se tenta libertar do escafandro onde o prenderam (o seu próprio corpo). Se a história do Daniel Day-Lewis parecia difícil, imagine-se com um olho em vez de com um pé.

Antes do acidente o jornalista tinha já assinado contrato para um livro, que seria uma recriação (a arte imita a arte) do Conde de Monte Cristo, mas com uma vingadora feminina no século XXI. Acontece que Deus, já se sabe, é um brincalhão com um sentido de humor bastante perverso, e decide transformar o pobre do Jean-Do numa versão século XXI do velho Noirtier, o pai do Villefort do romance de Dumas (a vida imita a arte, para fechar o ciclo). Noirtier é conhecido por ser a primeira referência literária do locked-in syndrome, o mesmo de que sofre Bauby (ler o capítulo 59 do Conde de Monte Cristo para mais informações).

O filme é arte. São os planos perfeitos encontrados por Julian Schnabel para nos dar a ver o que vê quem pode apenas ver; não será possível sabermos o que é coserem o nosso próprio olho sem que nos cosam o nosso próprio olho, mas o filme coloca-nos lá perto. São as boas interpretações das várias (belas) mulheres da vida de Bauby e de Max von Sydow, que aparece pouco mas é muito bom no pior papel que a vida nos pode reservar: perder um filho. E é, já agora, o Tom Waits na banda sonora.

O filme é vida. É a desgraça, mas sem apelar ao sentimentalismo. É o humor (negro) de Bauby, ao mesmo tempo que momentos como o Chaque jour je t'attends nos impedem de o idealizar, porque cá fora os desgraçados e os coitadinhos podem ser, como toda a gente, bons ou maus, sensíveis ou insensíveis, gajos porreiros ou filhos da puta. Ou, na verdade, nem um nem outro mas ambos. Como toda a gente.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Quarter Pounder with Cheese

O Vincent ficaria surpreendido ao descobrir que, apesar do sistema métrico, os espanhóis lhe chamam Cuarto de Libra con Queso.


sexta-feira, setembro 28, 2007

Your loveliness goes on and on, yes it does

A propósito de Hotel Chevalier:

(Where Do You Go To My Lovely, Peter Sarstedt)

quinta-feira, setembro 06, 2007

7 1/2

O elevador deste Ibis em Madrid seria perfeito para o Craig Schwartz utilizar no edifício Mertin Flemmer.
Being John Malkovich, 7 1/2

domingo, abril 29, 2007

Ser e ter


Desta vez já só apanhei o final, mas ontem o Jojo esteve no Canal 2. Para quem não o conhece, recomendo.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Argumento original

Parece que tenho realmente de ver novamente o filme da Abigail. Já sabia que era a única pessoa que não tinha gostado do filme, mas agora ainda lhe decidiram dar o meu Óscar preferido, o de Melhor Argumento Original (que nos últimos anos, por exemplo, foi para Crash, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Lost in Translation, Hable con Ella). Talvez eu é que estivesse num dia mau e o filme é mesmo bom, quem sabe...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Dez

Vi há uns anos o Dez de Kiarostami, e na altura adorei este misto de filme/documentário da vida de uma mulher iraniana recém-divorciada. O objectivo último de um filme é, parece-me, que o espectador fique na dúvida se se trata realmente de um filme e se os actores estão a representar, ou se é uma câmera escondida a filmar momentos reais; não é fácil, mas Kiarostami consegue-o com mestria.
A RTP decidiu passar esse filme; a que horas? 2:15 da manhã...

terça-feira, dezembro 19, 2006

The Departed

Não escrevi aqui nada sobre The Departed, mas também não sei bem o que escrever. Apenas que será certamente um clássico dos noughties (ou lá como vamos chamar a esta década).

segunda-feira, novembro 20, 2006

À beira de um ataque de nervos

A comédia, já se sabe, é o mais difícil dos géneros. Fora um ou outro nome, temo sempre que os filmes "cómicos" mais tarde ou mais cedo vão descambar em alguém que tropeça numa banana ou leva com uma tarde na cara, e por isso nem arrisco.
Desta vez, no entanto, uma crítica qualquer lida na diagonal convenceu-me que este Little Miss Sunshine (Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos, em português) teria um "humor negro" excelente, gargalhadas garantidas, etc., num filme supostamente meio "independente". Dentro do espírito de me informar o menos possível antes do filme, lá fui eu.
Resultado: as gargalhadas realmente apareceram por lá, a ver pelo resto da sala: a carrinha que não arranca, obrigando a família a empurrar e entrar em andamento (ha ha); a buzina da carrinha que encrava e vai apitando durante a viagem (ha ha); o polícia que apanha a revista gay do cunhado (ha ha ha). Enfim. Costumo (como toda a gente) criticar os tradutores que inventam nomes disparatados para os filmes, mas desta vez só posso concordar que o título em português me prepararia melhor para aquilo.

sábado, novembro 11, 2006

O fim da Humanidade, atentados e Freud

Esta semana houve direito a três idas ao cinema. A primeira foi para ver Children of Men, um filme do realizador de Y tu mamá también (agora em versão holywood). A ideia tinha tudo para dar um bom filme (2027, morre o último jovem - 18 anos - depois de a humanidade se ter misteriosamente tornado estéril), mas poderia ter sido melhor explorada: por exemplo, os problemas de 2027, poluição e emigração, são problemas já hoje: a imaginação não foi muita. Além disso, de minha parte dispensava um filme de ficção futurista, mas se não se queriam preocupar com isso a acção poderia passar-se num futuro mais próximo (escusava de ter já 18 anos o jovem); desta forma é sempre estranho imaginar que, por mais caótico que seja o futuro, não existam daqui a 20 anos modelos de carros novos ou outros gadgets que não temos hoje. O argumento anda à volta da tentativa de salvar um bebé (carregadinha de simbolismos bíblicos), e não passa muito disso. Prometia mais, mas ainda assim um filme a ver, e sem dúvida bem acima de outras coisas que por lá se fazem. Clive Owen (no papel do salvador da criança) e Michael Caine (no papel de um velhote que fuma erva com sabor a morango) estão bastante bem, Julianne Moore pouco aparece.
O segundo filme da semana foi United 93, um filme sobre o bastante difícil primeiro dia de trabalho de Ben Sliney. Apesar do forte carácter propagandista, e da dificuldade que existe em fazer um filme quando o argumento é por demais conhecido - neste caso a parte final, pelo menos -, parece-me que cumpre com o objectivo de nos colocar lá dentro e sentirmos o que sentiram estas pessoas. Existem obviamente algumas coisas que nunca saberemos se correspondem à realidade, e outras são difíceis de acreditar (o piloto terá mesmo colado uma foto do capitólio? para se guiar?), mas o facto de ser filmado com grandes planos, de câmara na mão, consegue passar a sensação que o realizador pretenderia. Outro ponto que terá contribuido é o facto de muitas das personagens lá estarem as himself (apenas as do solo, por razões óbvias). Com o tempo, a memória colectiva destes acontecimentos passa mais pelas obras que os retratam do que pelo que verdadeiramente aconteceu; não vi o World Trade Center (que penso não será comparável pois aborda um lado completamente diferente dos atentados), mas parece-me que ainda não foi feito o filme definitivo sobre o 11 de Setembro; talvez isso já não seja possível dada a complexidade do acontecimento, e aí este Voo 93 será uma peças importante no criar dessa tal memória colectiva.
A melhor supresa da semana viria com o freudiano Inconscientes. Leonor Watling - aqui bem mais mexida do que em Hable con ella - interpreta uma jovem grávida (leitora de Freud, Marx, Sherlock Holmes, Emily e Charlotte Brönte, Mary Shelley, Oscar Wilde), que vê o seu marido misteriosamente fugir de casa e vai - ela própria qual Sherlock -, junto com o cunhado, procurar encontrar as razões para este desaparecimento, descobrindo no caminho segredos sobre todos os que a rodeiam. O filme fez-me um pouco lembrar o 8 Mulheres, mas confesso que já não o vejo há bastante tempo e por isso a semelhança pode ser pouca. Apanhei este Inconscientes no cinema, mas sendo de 2004 deve ser mais fácil alugá-lo e vê-lo em casa, numa tarde de Domingo chuvosa (que mais semana menos semana há-de chegar, imagina-se); de uma forma ou de outra a não perder, ao mesmo tempo que nos roemos de inveja pelo cinema que os nuestros hermanos fazem e nós teimamos em não fazer.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Volver

Incesto, morte, solidão, família, doença, aldeia, mulheres, superstição, assasínio, traição, velhice, incesto.
Está bem a Penelope, apesar de o nome Raimunda não lhe assentar nada bem; Carmen Maura cumpre, com um papel relativamente pequeno; Yohana Cobo é a revelação, e já se fala que é a próxima Penelope.
De resto, dispensava as explicações dadas pela Abuela e mais tarde pela própria Raimunda: um fim um pouco mais aberto tem sempre a vantagem de nos obrigar a pensar no filme depois de sairmos da sala, e no caso as explicações até vêm numa altura em que estava tudo mais que percebido, o que só nos faz sentir que estamos a ser considerados estúpidos.
Pode ainda não ser Almodovar de volta ao seu melhor, mas vale sem dúvida a ida ao cinema.

sábado, agosto 05, 2006

E se a capuchinho vermelho comesse o lobo mau?

Não sei se foi inventada cá, mas só vi a frase no poster português, e é a descrição perfeita para Hard Candy. Talvez até não tenha sido essa a intenção do autor, mas é um filme que consegue o que pareceria difícil: fazer-nos simpatizar com o lobo mau, neste caso um (suposto?) pedófilo (não vou discutir aqui se se deve considerar pedófilo alguém atraído por raparigas pós-puberdade).
Num filme com apenas cinco actores, as cenas com o Capuchinho Vermelho e o Lobo Mau preenchem praticamente a totalidade do filme, ambos com excelentes actuações. A isto juntam-se as reviravoltas no argumento e um realizador estreante que nos vai apresentando os dois actores principais em grandes planos que aumentam o envolvimento do espectador. Arrisco um 8 em 10.

quinta-feira, junho 22, 2006

Clube das Chaves

Já vai no final da quinta semana e nas primeiras esteve até em mais do que uma sala, por isso achei que já o podia ir ver sem ter a companhia de muitas pipocas. Não li o livro, por isso não posso comparar; posso falar do filme, apenas. Resumindo, o filme é uma espécie de "O Clube das Chaves e a Organização Secreta"; e não digo isto com sentido pejorativo, porque até gostava dos livros do clube das chaves. Pena que o resto do mundo não tivesse lido estes livros, porque se tivesse talvez não achassem tão original este Código da Vinci.
A cópia é óbvia: Sophie herda do avô uma chave que a levará de enigma em enigma. Não percebo como é que, no meio dos processos por plágio, não houve nenhum dos autores do Clube das Chaves. A principal diferença é que o filme se destina ao americano médio, que aparentemente é bem menos inteligente que o puto de 10 anos a que se destina o Clube das Chaves. A cada passo do filme há a necessidade de ser tudo explicado: entrando num bosque por trás do Arco do Triunfo, Tom Hanks olha em volta e exclama algo como: "Ah, isto é o Bosque de Bolonha"; ainda antes, ao ver um homem no chão, pernas e braços esticados, e um círculo a envolver o corpo (esqueceram-se do quadrado), diz: "Isto é o Homem de Vitrúvio"; e para ajudar o americano médio, que certamente ainda não percebeu, insiste: "uma das obras mais famosas de Leonardo da Vinci". Não sei se o livro sofre do mesmo problema, mas a julgar pela quantidade de livros a explicar tudo sobre a obra imagino que não; já sobre o filme não há nada a explicar, está lá tudo (irritantemente) chapado.
Tom Hanks está bem, mas é hoje vítima do próprio sucesso: é impossível vê-lo a correr, mesmo de mão dada com a Princesa Amélie, e não imaginar alguém a gritar Run, Forrest, Run; é impossível vê-lo a barbear e não o imaginar em seguida a falar com uma bola de basebol.
A Tautou tinha o papel ideal para saltar definitivamente para hollywood: um filme destinado a grandes bilheteiras, em que a personagem feminina principal é uma francesa a falar inglês; não esteve mal, mas não me tem conseguido convencer que é muito mais que uma cara bonita. Pela maneira como conduz um Smart em marcha atrás, no entanto, tenho de admitir que era a pessoa ideal para o papel.
No geral, e esquecendo que há um livro por trás, esquecendo que estamos a ter a honra de nos ser revelado o maior segredo da história, acabam por ser duas horas e meia de bom entretenimento. Se o filme está à altura do livro é algo que nunca hei-de saber.

sexta-feira, maio 26, 2006

A recuperar: Cinema

1) Fui ver o primeiro por razões pessoais, e gostei. O segundo, pelas mesmas razões e ainda porque não perderia um filme que passa por Londres, Paris, Veneza e São Petersburgo, 4 das cidades que, em diferentes momentos da vida, estiveram no top das minhas cidades preferidas. É verdade que fica um pouco atrás do primeiro, mas vale nem que seja apenas por uma imagem: a do inglês que decide aprender russo apenas para poder falar com a mulher por quem se apaixonou. Nabokov (ou será que não foi ele?) refere que quando disse a alguém que já tinha lido Kafka, lhe perguntaram se tinha sido no original alemão; quando respondeu que não, disseram-lhe que então nunca tinha lido Kafka. Essa é uma das razões por que, a espaços, tenho tentado aprender alemão, mas sem grande sucesso; mas enfim, também é verdade que Kafka não é nenhuma boneca russa.
Já agora, o filme vale também por outras bonecas: uma inglesa, uma francesa, uma espanhola, uma belga lésbica, até uma senegalesa...
2) O argumento acaba por ser o que mais valorizo num filme (também nos filmes, como em tudo na vida, a forma pode por vezes fazer esquecer o conteúdo, mas, como em tudo na vida, é raro), e o argumento é o ponto forte deste Inside Man. Nota alta também para Clive Owen. Se, ao contrário de mim, não adormecem a ver cinema em casa, podem deixar para ver no sofá. De qualquer forma, a ver, mesmo por quem não pretende assaltar um banco num futuro próximo.
3) De Ki-duk Kim tinha visto apenas o Primavera, ..., mas era já sem dúvida suficiente para me fazer ir ver este Ferro 3. Tinha lido que o ambiente dos dois filmes era o mesmo, mas não foi o que achei: este junta-lhe momentos de violência, mas também alguns momentos de rara beleza e até alturas de um humor bastante peculiar. Literalmente sem palavras (quem viu percebe o que isto quer dizer).
4) Quando perguntaram a Joseph Heller porque nunca mais tinha escrito algo como o Catch 22 ele respondeu: "mas já alguém o fez?". Também penso que escrever um Catch 22 é suficiente para deixar realizado qualquer escritor, mas a verdade é que Heller continou a tentar repetir o feito. Da mesma forma não se pode pedir a Tornatore que faça sempre Cinema Paradiso's, ou a Benigni que cada filme saia um A Vida é Bela. Mas este O Tigre e a Neve é talvez a sua melhor tentativa até agora de fazer um sucessor digno. A ver por quem gosta de histórias de amor impossíveis, e do humor teatral de Benigni. Ah, e por quem, como eu, sempre imaginou que no casamento perfeito estará o Tom Waits a um canto a tocar piano.
5) Vivemos numa época, como aliás o foram todas as outras, em que já tudo foi inventado. Por isso, nota alta para Clooney por ter conseguido inovar na forma como colou cenas representadas a footage (como é que se diz footage em português?) real de McCarthy. Parabéns, e boa sorte.

domingo, abril 16, 2006

O elemento surpresa: no cinema

Há já bastante tempo que optei por me informar o mínimo possível sobre os filmes que vou ver. Cheguei à conclusão que saber antecipadamente parte do argumento diminui grandemente o prazer de ver o filme; por isso, informo-me apenas o essencial para saber se o vou ou não ver. Isto significou deixar de comprar a Premiere, e ler o Y sempre aí com um mês de atraso (não tive dificuldade em conseguir esta parte do atraso).
Por exemplo, vi o Fight Club na Finlândia, sem saber bem o que ia ver, e certamente não teria gostado do filme como gostei se soubesse alguma coisa do argumento. Como exemplo contrário, vi o Truman Show já a saber mais ou menos o que se ia passar, e não achei grande piada; se não soubesse nada talvez até tivesse gostado do filme, mesmo sendo-me difícil suportar a presença deste fulano.
Isto não quer dizer que não se possa ir ver um filme quando se sabe o que se vai passar (por exemplo, tinha já mais ou menos uma ideia de que a personagem principal iria morrer aqui), mas os filmes de que costumo gostar mais, com pontos de viragem no argumento ou finais inesperados, só têm a perder se nos informarmos sobre eles. Vi aquele que é o meu filme preferido dos últimos anos sem fazer a mínima ideia do que me esperava, e após 15 minutos ainda pensava que o filme não seria certamente todo assim...
Alguns filmes, no entanto, são tão badalados que é impossível não sabermos o que se vai passar, e que por isso vou ver a pensar que metade da piada já se perdeu. Foi com este preconceito que fui o ver o Brokeback Mountain: lá para o final, pensei eu, vai ter um twist do tipo de Crying Game. Afinal, nada disso: o twist é logo no início, e saber que isso se vai passar acaba por não prejudicar muito quem vai ver o filme. No entanto, e mesmo assim, o filme é "apenas" bom, e acaba por valer principalmente pela fotografia. Quanto ao argumento, seria uma simplíssima historieta de amor, se o responsável pelo casting, em vez do Donnie Darko, tivesse optado por exemplo pela sua irmã.
Em termos musicais, Ang Lee parece também ter ouvido o Country Gala 2 quando era novo, e fez-me realmente recuar ouvir músicas que pensava já ter esquecido.

quarta-feira, abril 12, 2006

V

"We have nothing to fear but fear itself", disse alguém há já mais de 60 anos. Hoje, quando o medo (seja ele dos aviões do Bin Laden, das ADM's do Saddam ou da bomba atómica do Irão) é usado mais uma vez para justificar a guerra e a perda de liberdades, a frase está mais actual que nunca. A acreditar nesta distopia orwelliana, fará ainda mais sentido daqui a umas dezenas de anos.
O filme, ainda que prejudicado pela utilização de alguns lugares comuns, acaba por estar muito bem conseguido na forma como V, um Edmond Dantés menos egoísta, prepara as suas peças de dominó até à revolução. A marcha triunfante dos mascarados não pode deixar de comover quem acredita que "o povo não deve temer os seus governos, os governos é que devem ter o seu povo".
A Natalie (a verdadeira razão, claro, que me levou a ver o filme) aparece como a cabeça rapada mais bonita desde que a Sinead chorou enquanto dizia que nada se compara a mim. Aliás, pode ser de mim, mas a tal Sinead pareceu-me bastante presente no filme: tal como na sua música, a Irlanda como vítima da Inglaterra aparece sempre como pano de fundo; o discurso que se ouve durante os créditos finais (que os funcionários do cinema fizeram o favor de cortar a meio), se não é o mesmo que abre o Universal Mother anda lá muito perto; e a história de Saint Mary's e Three Waters parece uma versão século XXI de "Famine" (do mesmo álbum), substituindo a falta de batatas por um vírus mortal.
Ainda em termos musicais, além de Jobim e Tchaikovsky, fica na memória a tal Natalie a dançar ao som de Antony, ainda que apenas durantes uns 10 segundos. Se a Igreja me tivesse prometido estes 10 segundos em vez de insossos querubins brancos, talvez hoje fosse mais religioso.
Impossível também não reparar na agenda gay presente no filme, associado a uma ideia de vítimas da sociedade: Deitrich é gay, a Valerie que escreve na prisão é gay. Bem, e quem escolhe Antony para a banda sonora.. :)
No geral, um filme sem dúvida a ver, com V de Verdade, Virtuoso, e Vingança, ainda que seja um pouco exagerado incluí-lo na lista dos melhores 250 de sempre, como acontece actualmente.

sábado, março 25, 2006

O animal humano

Sessão dupla de cinema, esta terça-feira.
Primeiro, a Marcha dos Pinguins, talvez o filme mais humano que vi nos últimos tempos. A não perder, em especial por quem considera que faz muitos sacrifícios pelos filhos.
Depois, uma História de Violência, que mostra o nosso lado mais animal.
(as palavras humano e animal são usadas, obviamente, no sentido que nós, arrogantemente, lhe custamos dar: os pinguins certamente utilizariam palavras diferentes)
No filme, boa interpretação de Viggo Mortensen (com um passado de violência, sem dúvida causado pelo facto de ter tido de assistir ao vivo aos vários Senhores dos Anéis); Ed Harris, depois de nos ter mostrado que não sabia pintar, de novo em grande forma, mesmo sem um olho; e a mais velha das coiotes... humm.. enfim... tenho de me lembrar de lhe perguntar onde se compram aqueless uniformes de cheerleader!

sexta-feira, março 17, 2006

De capote

Bastava ver as amostras do Capote para saber que Philip Seymour Hoffman seria provavelmente o vencedor do Oscar deste ano, se conseguisse manter aquela voz e os maneirismos durante todo o filme. Impressionantemente, consegue. A sua actuação é realmente fantástica, mesma para o espectador médio, que nunca terá visto como é o Capote original; mas vê-lo, e comparar os dois, dá até arrepios.
Muito bem também Clifton Collins Jr. e até Catherine Keener, mas a ela prefiro vê-la em papéis mais femininos (e para mim ela será sempre a Marr - laaarr - Maax... ine - M-M-M - Maxine).
Ah, e é impossível sair do filme sem vontade de (re)ler o In Cold Blood e o To Kill a Mockingbird.