quinta-feira, abril 05, 2007

Deep South

Parecendo que não, parando por momentos o zapping na Oprah pode-se aprender alguma coisa. Segunda-feira, por exemplo, aprendi que as Dixie Chicks, na altura da invasão ao Iraque, no topo da fama, disseram num concerto que eram contra a guerra, e algo como ter vergonha de aquele presidente ser do Texas. A partir daí, as vendas desceram a pique, as salas ficaram vazias, eram recebidas com cartazes com "Traidoras" e "Comunistas". Alguns entrevistados defendiam que claro que há liberdade de expressão e tal, mas não é para ser usada no estrangeiro (o problema, parece, foi ter sido dito no estrangeiro).
É realmente uma terra curiosa, o sul profundo dos US of A.

domingo, abril 01, 2007

Ele e ela 3

Tinha-me queixado da falta de reportagens sobre concertos na nova Blitz. Segundo o Vítor Junqueira continua igual. Mais uma razão para eu continuar a não a comprar.

Ainda o NÃO...

Os defensores do NÃO ainda continuam a supreender. Segundo notícia do Público defendem que Cavaco Silva devia vetar a lei, com este argumento peregrino que não precisa de comentários:
“Fomos um milhão e 500 mil portugueses que dissemos não a esta lei. Mas se a nós juntarmos mais um por nascer por cada voto nosso, teremos seguramente mais de três milhões de portugueses”, afirmou Isilda Pegado, em nome dos movimentos do “não”.

segunda-feira, março 26, 2007

O Grande Português

Bem sei que não tem qualquer validade científica uma eleição em que os votantes é que telefonam para dar o seu voto. Bem sei que os 41% de Salazar significam, no fundo, "apenas" umas 60 mil pessoas. Mas a verdade é que me assusta um bocado pensar que alguém considere Oliveira Salazar como o maior português de sempre, e isto sem ser preciso recorrer a bastonadas ou tortura do sono.
Se calhar o homem é que tinha razão: para quê gastar dinheiro em eleições quando ele ganharia de certeza? Se deu esta coça ao Afonso Henriques e ao D. João II, que hipóteses teriam, sejamos francos, Norton de Matos ou Humberto Delgado?

Para registo:
1º António de Oliveira Salazar - 41,0%; 2º Álvaro Cunhal - 19,1%; 3º Aristides de Sousa Mendes - 13,0%; 4º D. Afonso Henriques - 12,4%; 5º Luís de Camões - 4,0%; 6º D. João II - 3,0%; 7º Infante D. Henrique - 2,7%; 8º Fernando Pessoa - 2,4%; 9º Marquês de Pombal - 1,7%; 10º Vasco da Gama - 0,7%

Joanna

Este bilhete também já não escapa: Joanna Newsom, 3 Maio, Teatro Circo, Braga. Confesso que estou curioso em saber como se portará a menina em palco.
Como é que Faun Fables + Bonnie valem 8 euros e a Joanna sozinha vale 20 é, no entanto, coisa que me escapa.
Na Aula Magna no dia anterior.


sábado, março 24, 2007

Pedopolítica

Como os cidadãos com idade para votar não lhe ligam nenhuma, Manuel Monteiro parece virar-se agora para a faixa etária 3 a 6 anos. Só assim se percebe o argumento que o Público de ontem citou: "Venho dizer que ainda há direita. A direita está aqui, os outros são tortos".

quarta-feira, março 21, 2007

Bonnie

Ao vivo só o vi uma vez, há uns anos, no Bla Bla em Matosinhos. Will Oldham aka Bonnie Prince Billy aka Palace Brother volta, desta vez ao Teatro Circo de Braga e com Faun Fables a fazer a primeira parte, a 4 de Abril. Imperdível, claro, ainda mais quando os bilhetes são apenas a 8 euritos; os meus já cá estão.
No dia seguinte tocam no Maxime em Lisboa.


terça-feira, março 20, 2007

SISI

Sempre atento, Sérgio Godinho escreveu estes dias uma música sobre o novo Sistema Integrado de Segurança Interna.

O fascismo é uma minhoca (não é? lá isso é)
que se infiltra na maçã (não é? lá isso é)
ou vem com botas cardadas
ou com pèzinhos de lã

sexta-feira, março 09, 2007

Brincar aos referendos

Bem sei que o referendo não foi vinculativo, mas a grande maioria das pessoas que se deslocaram às urnas votou a favor da legalização do aborto por vontade da mulher. Ignorando tudo isto, ontem, na Assembleia da República, apenas votaram a favor da lei que a permitirá os mesmo partidos que o teriam feito se não tivesse havido referendo.
Não é gozar connosco?

quinta-feira, março 08, 2007

Maxi

Foi já há 3 semanas que Maximilian Hecker passou pelo Teatro Circo, mas dada a qualidade do senhor tenho de escrever qualquer coisita.
Não tenho acompanhado a discografia recente de Hecker, e por isso já estava a contar não conhecer grande parte das músicas apresentadas. Ainda assim, ele lá me fez o jeito e tocou 3 ou 4 músicas dos 2 primeiros álbuns (os mesmos que já ouvi vezes sem conta enquanto trabalho). As restantes não destoam, mas as músicas que mais gostei em palco foram basicamente as que já conhecia. É claro que nesta apreciação posso ter sido influenciado por conhecê-las, mas quem tem os álbuns todos já me tinha avisado que os tais dois são os mais conseguidos. Além das suas músicas, no final tivemos ainda direito a uma versão de I Want You, de Bob Dylan.
Quanto à presença em palco de Maxi (parece que é assim que a mãe lhe chama), é algo que tem que ser visto, porque as palavras não lhe fazem justiça. Ja. Diz ele que gostava de saber meter treta: o pai ensinou-lhe que as pessoas gostam de histórias e, diz ele, sente-se muito culpado por não conseguir seguir o conselho do pai. Mas pronto, coitado, não nasceu realmente para isso: é ilucidativo o "What are your hobbies?" que tentou para meter conversa com o público. Ja. Parecendo muito pouco à vontade em palco, lá diz que isso até é bom, porque bate certo com as letras das músicas ("people think i'm heart broken, but i'm just uncomfortable to be here"). Ja. Em Cold Wind Blowing cantou "There's no place to hide", mas não era preciso tê-lo dito para toda a gente ter percebido que era nisso que ele estava a pensar.
Os momentos bizarros não faltaram. Feel like children foi introduzida com "It was nice when I was a child. I pooed in my pants. I still do sometimes". Ja. Quando ninguém do público lhe ofereceu um lenço, a folha com o setlist foi a alternativa encontrada. Ja. E um arroto (a que se seguiram outros) serviu para contar uma história de quando tentou o mesmo feito num concerto em Taiwan. Ja.
"I am not very stable today. Which is good. I read artists should be strange". Ja.

Prémio Não se percebe então porque iam as mulheres a Espanha...



Qualidade das alheiras é preocupante em termos de segurança alimentar: Bactéria responsável por abortos espontâneos encontrada em 60 por cento dos lotes industriais.
(Público de hoje)

quinta-feira, março 01, 2007

Demissionários e resistentes 2

Um deles deu-me razão quase imediatamente: fora um ou outro bitaite de vez em quando, acho que ninguém sabe bem o que faz na vida; o outro demorou mais um pouco, mas conseguiu nunca desaparecer completamente e dois anos depois, conforme previsto, prepara-se para ser o próximo líder do CDS.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Argumento original

Parece que tenho realmente de ver novamente o filme da Abigail. Já sabia que era a única pessoa que não tinha gostado do filme, mas agora ainda lhe decidiram dar o meu Óscar preferido, o de Melhor Argumento Original (que nos últimos anos, por exemplo, foi para Crash, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Lost in Translation, Hable con Ella). Talvez eu é que estivesse num dia mau e o filme é mesmo bom, quem sabe...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Working less

Um bom artigo sobre este tema.
(Working less and living longer: long-term trends in working time and time budgets, Jesse H. Ausubel e Arnulf Grübler)

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

A promessa

A SIC Notícias apresenta amanhã um especial sobre JP Simões, e apresenta-o como "uma promessa do panomara musical português". Há gente distraída...

Dez

Vi há uns anos o Dez de Kiarostami, e na altura adorei este misto de filme/documentário da vida de uma mulher iraniana recém-divorciada. O objectivo último de um filme é, parece-me, que o espectador fique na dúvida se se trata realmente de um filme e se os actores estão a representar, ou se é uma câmera escondida a filmar momentos reais; não é fácil, mas Kiarostami consegue-o com mestria.
A RTP decidiu passar esse filme; a que horas? 2:15 da manhã...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Delírios

Menezes, num post delirante que entretanto parece ter desaparecido misteriosamente do seu blog, anunciava a vitória do não (e para chegar a essa conclusão somava o NÃO com a abstenção).
Agora vem dizer que a constituição exige maioria para validar uma opção; recomenda-se a consulta de vinculativo num dicionário, e a reflectir sobre a diferença entre "obrigar" e "permitir", e talvez até perceba porque é que, ao contrário do que dizia Marques Mendes, não se poderia despenalizar se o NÃO tivesse ganho (votando mais de metade dos eleitores).
Mas o que achei engraçado neste post de Menezes foi esta conclusão em que ele diz que se não se concorda com os 50% + 1 da Constituição se devia mudar a lei: "A lei é inexequível e, portanto, má? Talvez. Mas a solução passa por alterá-la e não por ignorá-la. Pelo menos, haja o bom senso de aproveitar a oportunidade para a adequar à realidade." Não parece mesmo uma frase retirada de um discurso do SIM, sobre uma outra lei?

PS: Para registo, aqui fica o tal delírio desaparecido:
"Os primeiros dados deste referendo consubstanciam desde já, independentemente da posição de cada português em relação ao problema concreto, uma enorme derrota política do Primeiro-Ministro.
Uma votação que, dado o enorme abstentismo, torna o resultado do referendo não vinculativo tem leituras óbvias e indiscutíveis: uma iniciativa política do Primeiro-Ministro é reprovada por cerca de 80% dos portugueses (somatório dos que não se interessaram, abstendo-se, com os que votam contra), derrota porque para além de ter sido o promotor desta iniciativa política, foi militantemente pró-activo em toda a campanha e fez do combate à abstenção a grande bandeira dos seu derradeiros discursos políticos.
Os portugueses, quer se queira quer não, não tinham a sua cabeça concentrada em exclusivo na problemática que ia ser referendada. Tinham-na também, na sua má disposição com as promessas diariamente quebradas, na sua incompreensão para com a evolução medíocre dos resultados da governação.
José Sócrates sai ferido na sua credibilidade. Oxalá aprenda a lição. Foi um primeiro cartão amarelo a esta governação cinzenta, desesperançada e triste."

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Orgulho

Nós, os homens, sempre orgulhosos. Sós, mas orgulhosos. Solitariamente orgulhosos.

Se eu por acaso te vir por aí
Passo sem sequer te ver
Naturalmente que já te esqueci
E tenho mais que fazer
Quero que saibas que cago no amor
Acho que fui sempre assim
Espero que encontres tudo o que quiseres
E vás para longe de mim


(JP Simões, 1970, também conhecido como O Álbum Que Sérgio Godinho Faria Se Quisesse Homenagear Chico Buarque)

domingo, fevereiro 11, 2007

Obama

Qual o pior pesadelo de alguém cujo principal argumento eleitoral é o de poder vir a ser a primeira mulher presidente dos Estados Unidos?
É aparecer-lhe pela frente nas primárias alguém cujo principal argumento eleitoral é o de poder vir a ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Hora H

Depois de ver o novo programa do Herman, fico a pensar se é ele que tem vindo a piorar nos últimos 20 anos, ou se somos nós que temos vindo a evoluir.