segunda-feira, outubro 01, 2007

É que me lixo...

Será que as pessoas com quem me cruzo apenas quando vou levar o lixo à rua sabem que, em circunstâncias normais, não cheiro a comida estragada?

sexta-feira, setembro 28, 2007

Your loveliness goes on and on, yes it does

A propósito de Hotel Chevalier:

(Where Do You Go To My Lovely, Peter Sarstedt)

Mulheres...

Viola deitou-se sobre a pele de javali.
- Trouxeste aqui outras mulheres?
Ele hesitou. E Viola:
- Se não trouxeste, não és homem, não és nada...
- Sim... uma ou outra...
Levou uma bofetada na cara, com a mão muito aberta.
- Era então assim que me esperavas?
(O Barão Trepador, Calvino)

Liderança

- Sabes que poderias comandar toda a nobreza, que te deveria vassalagem, com o título de duque?
- Sei apenas que quando tenho mais ideias do que os outros entrego a eles essas ideias, se as aceitam; e julgo que seja isto verdadeiramente comandar.
(O Barão Trepador, Calvino)

sexta-feira, setembro 14, 2007

Separados à nascença

Joe Berardo
John Abruzzi, Prison Break


Joe Berardo
Joe Berardo

quinta-feira, setembro 13, 2007

Ensaio sensual

Normalmente, os mails de spam que tentam levar-nos a carregar num link qualquer são escritos num português macarrónico, e tão sem imaginação que não enganarão ninguém. Este que recebi, no entanto, achei bastante curioso pela forma como apela ao voyeur dentro de nós (salvo seja).


Olá Marilia,como foi seu dia????
Muita ressaca?? Olha eu fiquei bem melhor depois que vomitei tudo.
Também,misturar vodka com montilla não foi uma boa idéia,mais esse foi um dos melhores finais de semana da minha vida.
Olha,o ronaldo estava com as fotos mas eu peguei o cartão de memória da maquina dele e descarreguei no meu pc.
Estava cheia daquelas fotos da piscina (do "ensaio sensual" rsrsrs) nossas mais eu gravei no meu pc e apaguei tudo do cartãozinho de memória...Estou te mandando algumas delas aqui,mais cuidado pra não cair em mãos erradas e não dá merda pra nós duas!

<link para site manhoso>Fotos_farra.jpg</link>

Um beijo!!!
De sua amiga Jú.

terça-feira, setembro 11, 2007

Escola virtual

Escola Virtual
Numa conhecida loja de electrodomésticos, decidiram que o DVD Escola Virtual: Matemática 9º Ano ficava bem ao lado de Tentações Anais. Parece-me que faz sentido; aliás, o autocolante "Melhora as tuas notas" poderia até ter sido colado também no das tentações...

segunda-feira, setembro 10, 2007

Opiniões

Definitivamente os ingleses não têm a mesma opinião que nós sobre os nossos avós:

Egrégio: do Lat. egrejiu, ovelha selecta < e, acima de + grege, rebanho; adj., elevado; distinto; nobre; ilustre; insigne.

Egregious: adjective 1. extraordinary in some bad way; glaring; flagrant: an egregious mistake; an egregious liar.

quinta-feira, setembro 06, 2007

7 1/2

O elevador deste Ibis em Madrid seria perfeito para o Craig Schwartz utilizar no edifício Mertin Flemmer.
Being John Malkovich, 7 1/2

terça-feira, setembro 04, 2007

Por a + b

Câmaras para detectar incêndios avariadas desde Maio

(público, 2007-09-03)

Está demonstrada a eficácia destas câmara de vigilância: até Maio, enquanto elas funcionaram, praticamente não houve incêndios; a partir de Junho, já sem câmaras, os incêndios começaram a aparecer.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Ah garanhão!

Francês seduz 1400

(público, 2007-09-03)

quinta-feira, agosto 16, 2007

O Murtal e o milénio

No capítulo doze do excelente "O pequeno livro do grande terramoto", Rui Tavares conta a história da bruxa do Murtal que "previu" um novo terramoto em Lisboa para 19 de Fevereiro de 1989. Os lisboetas, claro, não levaram nada disto a sério, mas, aparentemente, foram nesse fim-de-semana todos "passear" até à casa de campo da família, saída que "já tinham programado há muito tempo".
Em seguida, Rui Tavares decide dar mais 2 exemplos recentes de casos semelhantes (p. 199): a "mania da destruição de Paris, em Agosto de 1999, lançada por Paco Rabanne" e a "paranóia do bug do milénio".
Comparar o bug do ano 2000 com as previsões de Paco Rabanne e da bruxa do Murtal é, no mínimo, insultuoso para milhares de pessoas que passaram grande parte do ano de 99 e da própria noite de passagem de ano a trabalhar para que o Rui Tavares pudesse ter passado essa mesma noite calmamente a beber o seu champanhe. E mostra, o que é pena, que o Rui Tavares, que é das pessoas cujas opiniões mais gosto de ler e ouvir, não parece escapar à ignorância generalizada de tudo que entre no domínio das ciências exactas, a que no passado já me referi.

domingo, agosto 12, 2007

A internet reabre amanhã abre às 8h

A disponibilização de serviços na Web, já se sabe, implica uma mudança de paradigma que nem sempre é fácil de colocar em prática. Alguns casos, no entanto, são difíceis de compreender: esta é a mensagem apresentada pelo site da segurança social, após ter pedido para disponibilizar a minha situação contributiva a outra entidade:

domingo, agosto 05, 2007

Sim, ainda vais a tempo

Este post é dedicado a quem chegou aos 30, 40, 50 ou até 60 anos e pensa que começa a ser tarde para deixar obra para a posteridade.
Eis as (curtas) linhas decidadas a Saramago em 1983, tinha o senhor os seus 60 anos, pelo Pequeno Dicionário de Autores de Língua Portuguesa (Amigos do Livro).

Natural de Azinhaga, na Golegã, tem apenas estudos secundários. Jornalista, dirigiu, em 1975, o Diário de Notícias e tem colaboração dispersa noutros periódicos e em revistas, como Seara Nova. Foi director literário e de produção de uma editora. É autor de poesia, ficção e teatro. Recebeu o "Prémio Cidade de Lisboa", pelo seu livro Levantado do Chão, editado em 1980. Tem para próxima publicação o romance O Ano da Morte de Ricardo Reis e planos para uma peça que pensa intitular A Segunda Vida de Francisco Assis.

Em 82 publicou o Memorial do Convento, em 84 o tal Ano da Morte de Ricardo Reis, em 91 o Evangelho segundo Jesus Cristo, em 95 o Ensaio sobre a cegueira. Em 98, com 75 anos, tornar-se-ia no primeiro prémio nobel da literatura de língua portuguesa. Aos 85 anos continua a escrever.
Ela tinha a faca e o queijo na mão, e por isso recusou-se a fazer-lhe a vontade. E ele ficou sem a sua sande de fiambre.

quinta-feira, junho 28, 2007

Balada do mar partido

Little girl have I told you
how you light up my life
come and lay down beside me
come and thrill me tonight
do you wanna?


Soa por vezes a Belle & Sebastian (por razões óbvias), mas também a Western spaghetti, a Cohen ou a Nick Cave colheita Boatman's call. É Ballad of the Broken Sea, é Isobel Campbell e Mark Lanegan, e é o que tem tocado por aqui.

quarta-feira, junho 13, 2007

Ir e voltar

Já sabia que o aeroporto de Frankfurt era grande, mas embarcar na porta A14, levantar voo, e passado uma hora estar de volta na porta A17 nunca me tinha acontecido.

(a meio do voo para Viena voltamos para trás devido a um problema técnico; ao que tudo indica, tratou-se de uma partida do destino para dar oportunidade à Naoko - vinda de Tóquio para o mesmo evento que eu - de meter conversa).

domingo, junho 10, 2007

Marketing

Ouvido em frente a uma barraca de S. João:
- É comprar rápido antes que chegue a ASAE e leve tudo...

sexta-feira, junho 08, 2007

Andrew Bird

Sala já quase cheia à espera do início do espectáculo e o lugar ao meu lado direito, ali na 2ª fila, ainda vazio. A conversa já é repetida: ninguém se quer sentar ao teu lado, e tal, ah, vais ver a gaja boa que se vai sentar aqui (sim, nós homens somos assim infantis; mas deixem-nos, era o dia da criança). Enfim, a brincadeira do costume.

Com a diferença que destava vez não foi brincadeira.

Ao fundo da fila, fazendo as pessoas levantaram-se para conseguir passar, vem ela, direitinha ao meu lugar. Com o mesmo olhar perdido da Milla Jovovich no 5º elemento, mas com o cabelo curto como a Natalie Portman aqui há uns tempos. Sentou-se ao meu lado. Os olhos, grandes, destacam-se numa face de nariz e boca pequeninos. A orelha esquerda discute com o pescoço qual merece ser trincado primeiro, e ambos apresentam argumentos muito convincentes. A camisa, marota, não esconde um soutien pérola, e lá dentro uns seios pequenos não parecem contentes em estar presos, e tentam também sair e mostrar-se. Aos calções pela virilha seguem-se pernas longas e reluzentes. As sandálias de dedo mostram todo o pé, e duas vezes cinco dedos que pedem para ser contados das mais variadas formas.

Era nisto que pensava quando me apercebo que o espectáculo já começou. Os restantes espectadores pareciam estar atentos aos músicos, numa espécie de alucinação colectiva que os fazia acreditar que o mais interessante daquela sala estava em cima do palco.

E deve ter sido um concerto muito bom. Sim, deve ter sido, porque lembro-me de por breves momentos ter deixado de pensar no soutien pérola para ouvir com a atenção possível o violino de Andrew Bird. Tenho ideia que cheguei a esquecer brevemente os olhos grandes na face pequenina, para ouvir o som que ecoava na sala e me fazia lembrar um Jeff Buckley que tivesse aproveitado estes últimos anos, menos agitados, para aprender a tocar violino. Recordo-me de ter por instantes deixado de ouvir a discussão entre a orelha esquerda e o pescoço, para escutar o assobio mágico que nos faz duvidar se Bird é o seu nome de família ou uma alcunha bem escolhida. A passos deixei de imaginar até onde poderiam aquelas pernas levar alguém, para ouvir um pouco do pop-que-não-é-pop que se ia fazendo naquela sala.

Deve ter sido um concerto muito bom. Mesmo muito bom. Só tenho pena de não ter podido estar presente.

(braga, 1 Junho 2007)

segunda-feira, junho 04, 2007

Maldoror

Mal ou bem, os mão morta nunca foram associados a intelectualidade; prova disso, de certa forma, era a estranheza que se notava quando alguém ficava a saber que o Luxúria Canibal da noite bracarence era de dia o advogado Adolfo Macedo.
Com a idade, no entanto, também os grupos vão ganhando necessidade de se fazerem respeitar, e os Mão Morta têm, parece-me, percorrido bem esse caminho: assim foi com Heiner Müller aqui há uns anos, e assim é agora com os Cantos de Maldoror.
Parece que o Conde de Lautreamont se tem que ler na adolescência, e deve ter sido por falhar aí que hoje este tipo de literatura não é exactamente my cup of tea. Ainda assim, foi um espectáculo bem conseguido, por exemplo com um cuidado guarda-roupa e curiosos efeitos como o Luxúria a filmar-se e, em tempo real, a projectar nas suas costas o interior da própria boca. Não é para qualquer grupo encher o Teatro Circo em dois dias consecutivos com um espectáculo de hora e meia de monólogo (interrompido apenas raramente pelo resto do grupo), e só se explica por uma já longa carreira de sucesso dos Mão Morta, sempre intimamente ligada à cidade de Braga.

(braga, 11 maio 2007)