terça-feira, dezembro 11, 2007

Audiolivros 2

Fui ver por curiosidade, e reparei que foi exactamente há um ano que escrevi aqui que o lançamento em audiolivro do Codex 632 poderia "ser sinal de que vai começar a haver oferta deste tipo de produtos, muito escassa em Portugal".

As notícias, há poucos dias, do Público ("Este foi o ano de "explosão" dos audiolivros") e do Expresso ("Os audiolivros chegaram a Portugal") vêm confirmar que todas as editoras lêem atentamente este blog.

Levaram também em conta o meu pedido: "e já agora a um preço mais reduzido que os 40 euros do Codex", pedia eu há um ano. Por exemplo, os "Livros para ouvir" da 101 Noites (Eça, Pessoa, Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Camilo, Fialho de Almeida) custam 13,90€ (livro + cd), ou 4,50€ em mp3, o que é bastante aceitável.

Literatura de WC 4

. Pura Anarquia (Woody Allen, Gradiva) (que, pelo menos o que já li - e sinto-me quase como quem mata o próprio pai a dizer isto -, é fraquito)
. Novas Aventuras do Menino Nicolau, O Regresso do Menino Nicolau, Volume III (Goscinny e Sempé, Teorema)
. Boca do Inferno (Ricardo Araújo Pereira, Tinta da China)

sábado, dezembro 01, 2007

Distraída

Ontem, na Fnac. Uma senhora, classe média e aspecto razoável, vem com a filha pela mão e pega no Equador para folhear.
- Este sim, escreve muito bem: foi o melhor livro que já li.
Espera uns momentos para que a filha possa assimilar toda a sabedoria da frase anterior, e prossegue:
- Não sei é se já editou mais algum. Vamos perguntar.

terça-feira, novembro 27, 2007

Alone 2

Don't worry Mum,
don't worry Dad.
The hours that I spend alone
are the happiest I've ever had.

(The Divine Comedy, The Happy Goth)

domingo, novembro 25, 2007

Deus gosta de futebol

A semana passada a Inglaterra falhou a qualificação para o Euro 2008, depois de perder em casa por 2-3, com a.. Croácia.

Hoje, no sorteio para os grupos de qualificação para o Campeonato do Mundo 2010, a Inglaterra, 10ª classificada no ranking da FIFA, não tinha direito a um dos 9 lugares no 1º pote. O 9º lugar era ocupado pela... Croácia.

Estando no 2º pote, a Inglaterra teria que ficar no grupo de uma das equipas do 1º pote. Ficou, está bom de ver, no grupo da... Croácia.

É bom saber que quem quer que seja que lá em cima olha por nós tem sentido de humor.

O poder da blogosfera

"Se a fusão se confirmar, a minha conta do BPI não dura mais que uma semana. O BCP representa tudo o que eu detesto na sociedade portuguesa e não esqueço que foi com o seu dinheiro que se pagou parte da campanha pelo não no referendo à despenalização do aborto. Tenho a certeza que não serei o único a tomar esta decisão."
Luis M. Jorge, no seu (muito recomendável) blog, 2007-10-25

"Negociações entre BPI e BCP falharam"
Noticiado hoje, 2007-11-25

sábado, novembro 24, 2007

Alone 1

"Then I suppose he got tired of you and ran away."
Henrietta’s peculiar scarlet blush flowed rapidly over her cheeks as she flung Agatha's arm away, exclaiming, "How dare you say so! You have no heart. He adored me."
"Bosh!" said Agatha. "People always grow tired of one another. I grow tired of myself whenever I am left alone for ten minutes, and I am certain that I am fonder of myself than anyone can be of another person."

(GB Shaw, An unsocial socialist)

quinta-feira, novembro 22, 2007

Caminhada para o euro 2008: alguns factos

1) De novo no Europeu, e finalmente começa um ser um hábito. Parabéns.
2) Antes de Scolari vivíamos de vitórias morais. Agora as exibições nem sempre agradam, mas a verdade é que os objectivos vão sendo cumpridos.
3) Melhor ataque (juntamente com a Polónia) e melhor diferença de golos do grupo.
4) Num grupo facílimo, o segundo lugar e a qualificação garantida apenas no último jogo (e um único golo da Finlândia teria deitado tudo a perder) sabem a pouco.
5) Nenhuma vitória sobre as 3 equipas "menos más" do grupo (uma derrota e um empate com a Polónia, dois empates com a Finlândia e com a Sérvia).
6) No Europeu o que por lá aparecerá será da Polónia para cima, por isso há muito a melhorar.

terça-feira, novembro 20, 2007

Meias

- Queria 6 pares de meias pretas, por favor.
- Lamento, mas as meias pretas estão esgotadas.
- Ah, é pena. Levo só um edredon de solteiro e a loja, por favor.

segunda-feira, novembro 19, 2007

The Opposite Of Hallelujah

Já várias vezes descreveram a música que ouço como depressiva. Não que concorde com a definição, mas por vezes sabe bem variar e acordar com algo como um Tonight We Fly dos Divine Comedy, ou o Fim do Mundo dos Ala dos Namorados.

Ou este The Opposite of Hallelujah do Jens Lekman.

sábado, novembro 10, 2007

Primeiro passo

Os físicos continuam a tentar desenvolver a Teoria Total que explique todo o Universo. Como se sabe, esse será um primeiro, tímido passo para algo muito mais ambicioso e complexo: explicar a Mulher.

sábado, novembro 03, 2007

Da incompetência

Estou a ver o No Direction Home no canal 2 e vou-me rindo, alternadamente, das respostas de Dylan aos jornalistas (Quantos escritores de intervenção como eu existem? Ah? Quer saber quantos? Cerca de 136. 136 ou 142.) e da legendagem (péssima). Um exemplo, de memória: sobre um concerto, alguém se refere ao "sound coming from the speakers"; tradução: "o som vindo dos intervenientes(!)". Segundo exemplo: Dylan falta de pessoas comuns, "people like you and me"; tradução: "as pessoas gostam de você e de mim". (não estive sempre a ouvir com atenção, confesso, e pode até ter-me falhado alguma coisa nestes exemplos, mas haveria vários outros igualmente maus)

Assim como em pequenos acreditamos que os nossos pais sabem tudo, também acreditamos que os vários profissionais são competentes. Lembro-me de ter começado a dar formação (tinha 15, 16 anos) e a partir daí olhar de forma diferente para os meus professores, percebendo o quão incompetentes eram na generalidade. A mesma coisa se passou quando tive o primeiro emprego fixo, e olhei em volta e vi que a incompetência era a normalidade.

E lembro-me de pensar, assustado, que o mesmo se deve passar nas profissões às quais vou confiando a minha vida, desde médicos a pilotos de avião. Ainda não recuperei do susto.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Histórias sem moral nenhuma (2)

Amigos inseparáveis desde a infância, eu e o Pedro, e os dois melhores do nosso ano na Faculdade. Naquele exame eu tive 17, e o Pedro 18; o professor deu-me os parabéns, disse que eu escrevia muito bem, mas acrescentou que tive azar em ser do mesmo ano do Pedro. Ajeitou a gravata como quem vai dizer uma verdade universal, e finalizou: na vida real não tens que ser muito bom, tens que ser o melhor.

Na questão que o Pedro tinha falhado eu tinha tido pontuação máxima; a que eu errei era sobre o autor preferido do Pedro. Num momento de pouca lucidez, cheguei a considerar estudarmos juntos e melhorarmos os dois. Imediatamente bati na cabeça castigando-me pela minha própria estupidez: esse não era, obviamente, o caminho para ser o melhor.

No dia anterior ao segundo exame atropelei o Pedro a caminho da Faculdade, praticamente sem querer. O exame nem me correu especialmente bem e tirei 16, mas fui o melhor.

domingo, outubro 28, 2007

Já disse, mas depois talvez diga outra coisa

Sócrates diz que não divulga para já se o governo vai optar por referendar o Tratado de Lisboa, ou se será aprovado pelo Parlamento. A opção ficará em segredo até à assinatura do tratado, a 13 de Dezembro.

Faltou-lhe dizer que se os eleitores tomassem o Engenheiro, o Governo e o PS como honestos, não haveria segredo nenhum: o referendo fazia, afinal, parte do programa de Governo que foi a votos. Como já ninguém acredita nas promessas destes senhores, o segredo mantém-se.

sexta-feira, outubro 26, 2007

David Sylvian

A mim, que tenho acompanhado a carreira de David Sylvian bastante de longe, parece-me que esta não tem sido feita em linha recta: colaborações com artistas variados têm-no feito visitar terrenos diferentes. Não sei bem se isto tem feito fugir alguns seguidores (que continuarão a preferir ouvir os Japan ou o Secrets of the Behive, preterindo o que o senhor vai editando ultimamente), ou se, pelo contrário, lhe permite ter várias legiões de fãs com gostos diferentes.

O alinhamento do concerto desta Terça no Teatro Circo em Braga, em tudo semelhante, pelo que se lê pela blogosfera, a outros desta The World is Everything Tour, parecia pensado para provar que afinal toda a obra se encaixa na perfeição. Abriu com Wonderful World (dos recentes Nine Horses), passou por World Citizen (sem Sakamoto), por vários temas desde os anos oitenta (Waterfront, Brilliant trees, e até um Ghosts dos Japan disfarçado) até aos mais recentes (A fire in the forest, Snow born sorrow, The librarian) e a coisa apresentava uma coerência que inicialmente não lhe atribuíria.

Em palco, David Sylvian não é dos artistas mais agitados (ou faladores) que por ali passaram. Não vou dizer que o ar é de frete, porque não é, mas todo o concerto é passado sentado no seu banquinho, e a interacção com o público limita-se a uns Thank You's quase inaudíveis. É quase difícil perceber como pode este trabalho tão sedentário levado o homem a cancelar 3 concertos na última semana (Moscovo, San Sebastian, CCB) por fadiga. Cansado ou não, musicalmente foi a perfeição que se lhe reconhece. Até parece fácil.

PS: Anda por aí pelos torrents um concerto em Glasgow do mês passado (com um alinhamento idêntico), com uma qualidade de som bastante boa. Recomendo a quem quiser recordar o que ouviu na Terça, ou aos lisboetas que (oh que pena) não tiveram (ainda?) direito a concerto.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Esgotado

David Sylvian, esgotado, faltou ao concerto no CCB no Domingo.
David Sylvian deu grande concerto ontem num Teatro Circo esgotado.

Está aí escondida, tenho a certeza, uma qualquer piada aproveitando a polissemia da palavra, mas neste momento não estou a ver qual.

terça-feira, outubro 23, 2007

Escutas

O Ministério Público e a PJ não gostaram que o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, viesse dizer, em entrevista ao Sol, que se fazem demasiadas escutas em Portugal.
Aliás, MP e PJ já não tinham gostado quando o Procurador expressou a mesma opinião, há algumas semanas, ao telefone com um amigo.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Histórias sem moral nenhuma

Ia sozinho no automóvel. O embate foi violento e fatal.
Abriu a porta, saiu, deu a volta ao carro e entrou pelo lado do passageiro. Sentou-se e pensou satisfeito que agora sim estava no lugar do morto. Toda a sua vida tinha sido conhecido por ser extremamente organizado, e não ia agora morrer fora do lugar.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Doris

Diz o Pedro Mexia que não comenta o Nobel a Doris Lessing porque "apenas" leu 2 dos seus 50 livros.
Em primeiro lugar, Pedro, parece-me uma limitação grave. Eu, que nunca li Doris Lessing, sinto-me perfeitamente à vontade para entrar num qualquer debate sobre a velhinha; dependendo do lado da mesa em que me coloquem, sou capaz de a defender com entusiasmo, e que vale muito mais o conjunto coerente da totalidade da sua obra do que cada livro individual (e bla bla); ou então, sentando-me do outro lado, defender com o mesmo entusiasmo que o prémio se destina não aos seus escritos mas ao passado de esquerda e feminista (e bla bla).
Por outro lado, um escritor de quem li 2 livros passa directamente para o rol de escritores de quem mais li. Dizer de algum escritor que li "apenas" 2 livros não me passa pela cabeça. Parecendo que não, isto de trabalhar acaba por roubar tempo a um gajo.

terça-feira, outubro 16, 2007

Populismo

Gostaria de ter escrito isto, mas o Pedro Magalhães já o fez, e bem:

Anteontem, Manuela Ferreira Leite, dirigindo-se ao congresso do PSD, explicava por que razão os temas da regionalização e do referendo europeu não deveriam fazer parte da agenda do partido no futuro próximo. Quanto ao primeiro, cito de memória, isso corresponderia a "servir de lebre ao PS" e a perder uma bandeira (a da oposição à regionalização) que tinha dado sucessos políticos e eleitorais ao partido no passado. Quanto ao referendo europeu, ele seria de evitar porque obrigaria a fazer campanha com o PS sobre um tema no qual os dois partidos estão de acordo, desfavorecendo, mais uma vez, a possibilidade de o segundo se diferenciar do primeiro. Sobre se a regionalização, o tratado europeu ou a sua submissão a referendo são "bons" ou "maus" em si mesmos, não recordo uma palavra. Assim, os eleitores que tenham ouvido Manuela Ferreira Leite só podem chegar a duas conclusões. A primeira é que a entrada ou saída dos temas da agenda não tem, pelos vistos, rigorosamente nada a ver com a sua substância, mas sim com a maneira ela como pode afectar o "jogo" político e as perspectivas eleitorais do partido.[...]

Foi exactamente o que pensei quando ouvi o discurso de MFL no congresso do PSD. Houve ainda outro argumento, na mesma linha, que o Pedro Magalhães não citou: não podemos pedir baixa de impostos pois isso seria admitir que tal já é possível devido ao bom trabalho do PS nestes dois anos, e não podemos admitir isso.
Já se sabe que este tipo de raciocínios serão normais em reuniões à porta fechada, ou em discursos "para dentro", mas estranha-se vê-los expostos, tão clara e cinicamente, em discursos a que o comum eleitor pode aceder pela TV, pelas rádios, pelos jornais.
Esta falta de vergonha só se compreende por uma de duas razões: ou consideram que cá fora ninguém liga patavina a estes discursos, ou acham que o povinho mesmo que os ouça não os vai perceber. E o mais triste é que são capazes de ter razão..