Little girl have I told you
how you light up my life
come and lay down beside me
come and thrill me tonight
do you wanna?
Soa por vezes a Belle & Sebastian (por razões óbvias), mas também a Western spaghetti, a Cohen ou a Nick Cave colheita Boatman's call. É Ballad of the Broken Sea, é Isobel Campbell e Mark Lanegan, e é o que tem tocado por aqui.
quinta-feira, junho 28, 2007
quarta-feira, junho 13, 2007
Ir e voltar
Já sabia que o aeroporto de Frankfurt era grande, mas embarcar na porta A14, levantar voo, e passado uma hora estar de volta na porta A17 nunca me tinha acontecido.
(a meio do voo para Viena voltamos para trás devido a um problema técnico; ao que tudo indica, tratou-se de uma partida do destino para dar oportunidade à Naoko - vinda de Tóquio para o mesmo evento que eu - de meter conversa).
(a meio do voo para Viena voltamos para trás devido a um problema técnico; ao que tudo indica, tratou-se de uma partida do destino para dar oportunidade à Naoko - vinda de Tóquio para o mesmo evento que eu - de meter conversa).
domingo, junho 10, 2007
Marketing
Ouvido em frente a uma barraca de S. João:
- É comprar rápido antes que chegue a ASAE e leve tudo...
- É comprar rápido antes que chegue a ASAE e leve tudo...
sexta-feira, junho 08, 2007
Andrew Bird
Sala já quase cheia à espera do início do espectáculo e o lugar ao meu lado direito, ali na 2ª fila, ainda vazio. A conversa já é repetida: ninguém se quer sentar ao teu lado, e tal, ah, vais ver a gaja boa que se vai sentar aqui (sim, nós homens somos assim infantis; mas deixem-nos, era o dia da criança). Enfim, a brincadeira do costume.
Com a diferença que destava vez não foi brincadeira.
Ao fundo da fila, fazendo as pessoas levantaram-se para conseguir passar, vem ela, direitinha ao meu lugar. Com o mesmo olhar perdido da Milla Jovovich no 5º elemento, mas com o cabelo curto como a Natalie Portman aqui há uns tempos. Sentou-se ao meu lado. Os olhos, grandes, destacam-se numa face de nariz e boca pequeninos. A orelha esquerda discute com o pescoço qual merece ser trincado primeiro, e ambos apresentam argumentos muito convincentes. A camisa, marota, não esconde um soutien pérola, e lá dentro uns seios pequenos não parecem contentes em estar presos, e tentam também sair e mostrar-se. Aos calções pela virilha seguem-se pernas longas e reluzentes. As sandálias de dedo mostram todo o pé, e duas vezes cinco dedos que pedem para ser contados das mais variadas formas.
Era nisto que pensava quando me apercebo que o espectáculo já começou. Os restantes espectadores pareciam estar atentos aos músicos, numa espécie de alucinação colectiva que os fazia acreditar que o mais interessante daquela sala estava em cima do palco.
E deve ter sido um concerto muito bom. Sim, deve ter sido, porque lembro-me de por breves momentos ter deixado de pensar no soutien pérola para ouvir com a atenção possível o violino de Andrew Bird. Tenho ideia que cheguei a esquecer brevemente os olhos grandes na face pequenina, para ouvir o som que ecoava na sala e me fazia lembrar um Jeff Buckley que tivesse aproveitado estes últimos anos, menos agitados, para aprender a tocar violino. Recordo-me de ter por instantes deixado de ouvir a discussão entre a orelha esquerda e o pescoço, para escutar o assobio mágico que nos faz duvidar se Bird é o seu nome de família ou uma alcunha bem escolhida. A passos deixei de imaginar até onde poderiam aquelas pernas levar alguém, para ouvir um pouco do pop-que-não-é-pop que se ia fazendo naquela sala.
Deve ter sido um concerto muito bom. Mesmo muito bom. Só tenho pena de não ter podido estar presente.

Com a diferença que destava vez não foi brincadeira.
Ao fundo da fila, fazendo as pessoas levantaram-se para conseguir passar, vem ela, direitinha ao meu lugar. Com o mesmo olhar perdido da Milla Jovovich no 5º elemento, mas com o cabelo curto como a Natalie Portman aqui há uns tempos. Sentou-se ao meu lado. Os olhos, grandes, destacam-se numa face de nariz e boca pequeninos. A orelha esquerda discute com o pescoço qual merece ser trincado primeiro, e ambos apresentam argumentos muito convincentes. A camisa, marota, não esconde um soutien pérola, e lá dentro uns seios pequenos não parecem contentes em estar presos, e tentam também sair e mostrar-se. Aos calções pela virilha seguem-se pernas longas e reluzentes. As sandálias de dedo mostram todo o pé, e duas vezes cinco dedos que pedem para ser contados das mais variadas formas.
Era nisto que pensava quando me apercebo que o espectáculo já começou. Os restantes espectadores pareciam estar atentos aos músicos, numa espécie de alucinação colectiva que os fazia acreditar que o mais interessante daquela sala estava em cima do palco.
E deve ter sido um concerto muito bom. Sim, deve ter sido, porque lembro-me de por breves momentos ter deixado de pensar no soutien pérola para ouvir com a atenção possível o violino de Andrew Bird. Tenho ideia que cheguei a esquecer brevemente os olhos grandes na face pequenina, para ouvir o som que ecoava na sala e me fazia lembrar um Jeff Buckley que tivesse aproveitado estes últimos anos, menos agitados, para aprender a tocar violino. Recordo-me de ter por instantes deixado de ouvir a discussão entre a orelha esquerda e o pescoço, para escutar o assobio mágico que nos faz duvidar se Bird é o seu nome de família ou uma alcunha bem escolhida. A passos deixei de imaginar até onde poderiam aquelas pernas levar alguém, para ouvir um pouco do pop-que-não-é-pop que se ia fazendo naquela sala.
Deve ter sido um concerto muito bom. Mesmo muito bom. Só tenho pena de não ter podido estar presente.

(braga, 1 Junho 2007)
segunda-feira, junho 04, 2007
Maldoror
Mal ou bem, os mão morta nunca foram associados a intelectualidade; prova disso, de certa forma, era a estranheza que se notava quando alguém ficava a saber que o Luxúria Canibal da noite bracarence era de dia o advogado Adolfo Macedo.
Com a idade, no entanto, também os grupos vão ganhando necessidade de se fazerem respeitar, e os Mão Morta têm, parece-me, percorrido bem esse caminho: assim foi com Heiner Müller aqui há uns anos, e assim é agora com os Cantos de Maldoror.
Parece que o Conde de Lautreamont se tem que ler na adolescência, e deve ter sido por falhar aí que hoje este tipo de literatura não é exactamente my cup of tea. Ainda assim, foi um espectáculo bem conseguido, por exemplo com um cuidado guarda-roupa e curiosos efeitos como o Luxúria a filmar-se e, em tempo real, a projectar nas suas costas o interior da própria boca. Não é para qualquer grupo encher o Teatro Circo em dois dias consecutivos com um espectáculo de hora e meia de monólogo (interrompido apenas raramente pelo resto do grupo), e só se explica por uma já longa carreira de sucesso dos Mão Morta, sempre intimamente ligada à cidade de Braga.
Com a idade, no entanto, também os grupos vão ganhando necessidade de se fazerem respeitar, e os Mão Morta têm, parece-me, percorrido bem esse caminho: assim foi com Heiner Müller aqui há uns anos, e assim é agora com os Cantos de Maldoror.
Parece que o Conde de Lautreamont se tem que ler na adolescência, e deve ter sido por falhar aí que hoje este tipo de literatura não é exactamente my cup of tea. Ainda assim, foi um espectáculo bem conseguido, por exemplo com um cuidado guarda-roupa e curiosos efeitos como o Luxúria a filmar-se e, em tempo real, a projectar nas suas costas o interior da própria boca. Não é para qualquer grupo encher o Teatro Circo em dois dias consecutivos com um espectáculo de hora e meia de monólogo (interrompido apenas raramente pelo resto do grupo), e só se explica por uma já longa carreira de sucesso dos Mão Morta, sempre intimamente ligada à cidade de Braga.
(braga, 11 maio 2007)
sexta-feira, maio 25, 2007
Igualdade
A Bárbara Reis brincava hoje no Ipsilon com o facto de o vencedor masculino do Lisboa Downtown 2007 ter recebido 5000€ de prémio, enquanto a vencedora feminina recebeu apenas 2500€. Escandaloso o facto de ter recebido apenas metade: segundo as suas contas, ao demorar apenas mais 15% do tempo (1m54 contra 1m39), a Sabrina Jonnnier deveria ter recebido quatro mil e qualquer coisa euros.
Tenho uma solução ainda mais justa: em nome da igualdade, porque não receber o mesmo que um homem que tenha feito também 1m54? Não sei a classificação completa, mas sei por exemplo que o 5º classificado, com 1m42, recebeu 750€...
Tenho uma solução ainda mais justa: em nome da igualdade, porque não receber o mesmo que um homem que tenha feito também 1m54? Não sei a classificação completa, mas sei por exemplo que o 5º classificado, com 1m42, recebeu 750€...
Blitz aprova
Comprei apenas a Blitz nº 1, e não voltei a repetir até ao mês passado, que comprei por culpa de um pequeno livro Blitz Aprova. Serão no total seis livros (grátis com a revista) e o primeiro número era dedicado a Pop/Rock 1993-2006, sendo os restantes referentes a períodos anteriores. A ideia é mostrar os melhores discos de cada período; o livro estava porreirito, e acho que me vai fazer comprar a Blitz nos próximos meses. Hoje já deve estar nas bancas o segundo (1985-1993).
Achei curioso, já agora, que o primeiro número "aprove" 3 discos de bandas que estiveram no 1º festival para gente sentada: o Regard the End dos Willard Grant Conspiracy, que comprei lá assinado pelo Robert Fischer; o Rejoicing in the Hands, que se bem me lembro era na altura o último álbum do Devendra; e o Greetins from Michigan, sendo que a actuação do Sufjan Stevens foi ao lado de um mapa desse estado.
Achei curioso, já agora, que o primeiro número "aprove" 3 discos de bandas que estiveram no 1º festival para gente sentada: o Regard the End dos Willard Grant Conspiracy, que comprei lá assinado pelo Robert Fischer; o Rejoicing in the Hands, que se bem me lembro era na altura o último álbum do Devendra; e o Greetins from Michigan, sendo que a actuação do Sufjan Stevens foi ao lado de um mapa desse estado.
segunda-feira, maio 21, 2007
Um Anjo na Terra
(sim, eu sei que isto chega com quase 3 semanas de atraso...)
A noite começou com um senhor de quem pensava nada ou quase nada ter ouvido. Estranhamente, fui descobrindo ao longo da sua actuação que afinal aquilo me soava conhecido. Tenho a certeza que já ouvi Carousing, por exemplo, muitas e muitas vezes. Onde? Não sei, acho que nunca vou saber. De qualquer forma, conhecidas ou não, as músicas não conseguiram impressionar: Alasdair Roberts pareceu demasiado sozinho no palco, apenas mais uma voz com a uma guitarra.
E depois, claro, veio o Anjo.
Todos sabemos que pedir a Deus que nos prove a sua existência não é coisa que se faça: o crente tem fé sem necessidade de milagres que a provem. Por vontade próprioa no entanto, Ele insiste em nos ir dando provas, e elas aparecem sob as mais diversas formas. Um Anjo, todo de branco como deve ser um Anjo, a tocar harpa como toca um Anjo, a cantar como canta um Anjo, foi a prova que esteve na semana passada no Teatro Circo. Com o mesmo sentido de humor dos irmão que disseriam chamar Eon (ao the One), Deus pegou nas letras de Anjo e decidiu chamar-lhe Joanna. Conta quem conseguiu manter algum nível de concentração que o Anjo nos encantou principalmente com o seu último álbum; até Only Skin, que tinha faltado em Lisboa (- we can't play that one, it's too long / - oh, come on / - ok, ok, but we ain't pleased).
Momento da noite: talvez o Sawdust & Diamonds;
O que faltou: Inflamatory writ, cujo início é o meu toque de telemóvel há já muito tempo;
O momento mais surreal: O Anjo diz que não nos consegue ver dada a iluminação da sala. - Oh, I can see some mobile phones now... And someone has a lighter... / - And I have a priest, diz uma voz algumas filas atrás de mim. / - A what?, diz o Anjo. / - Priest. P-R-I-E-S-T / - A priest?, repete o Anjo, sem perceber ainda a relaçao com telemóveis e isqueiros. Your jokes are my favourites, diz o Anjo entre-dentes, que os Anjos também podem ser irónicos. - To marry me (sic), diz a voz, já quase ninguém ouvir (nem o Anjo), e assim perdendo-se a piada que esteve a preparar toda a semana.
O pior: O rapaz exactamente atrás de mim acho que gritar UUU-AAA era a melhor forma de acabar cada uma das músicas (curiosamente aplicando a mesma receita ao pouco inspirado Alasdair e ao Anjo que se seguiu). A namorada, ainda mais curiosamente, era da mesma opinião, e lá iam gritando os dois, por vezes alternadamente, por vezes em uníssono. Lembrei-me na altura que "E o burro viu o Anjo" seria um bom título para o que se passava ali.
(a imagem é mostrada apenas para confirmar a crença popular de que, não lhes sendo possível roubar a alma, os anjos aparecem nas fotografias apenas como clarão de luz)
A noite começou com um senhor de quem pensava nada ou quase nada ter ouvido. Estranhamente, fui descobrindo ao longo da sua actuação que afinal aquilo me soava conhecido. Tenho a certeza que já ouvi Carousing, por exemplo, muitas e muitas vezes. Onde? Não sei, acho que nunca vou saber. De qualquer forma, conhecidas ou não, as músicas não conseguiram impressionar: Alasdair Roberts pareceu demasiado sozinho no palco, apenas mais uma voz com a uma guitarra.
E depois, claro, veio o Anjo.
Todos sabemos que pedir a Deus que nos prove a sua existência não é coisa que se faça: o crente tem fé sem necessidade de milagres que a provem. Por vontade próprioa no entanto, Ele insiste em nos ir dando provas, e elas aparecem sob as mais diversas formas. Um Anjo, todo de branco como deve ser um Anjo, a tocar harpa como toca um Anjo, a cantar como canta um Anjo, foi a prova que esteve na semana passada no Teatro Circo. Com o mesmo sentido de humor dos irmão que disseriam chamar Eon (ao the One), Deus pegou nas letras de Anjo e decidiu chamar-lhe Joanna. Conta quem conseguiu manter algum nível de concentração que o Anjo nos encantou principalmente com o seu último álbum; até Only Skin, que tinha faltado em Lisboa (- we can't play that one, it's too long / - oh, come on / - ok, ok, but we ain't pleased).
Momento da noite: talvez o Sawdust & Diamonds;
O que faltou: Inflamatory writ, cujo início é o meu toque de telemóvel há já muito tempo;
O momento mais surreal: O Anjo diz que não nos consegue ver dada a iluminação da sala. - Oh, I can see some mobile phones now... And someone has a lighter... / - And I have a priest, diz uma voz algumas filas atrás de mim. / - A what?, diz o Anjo. / - Priest. P-R-I-E-S-T / - A priest?, repete o Anjo, sem perceber ainda a relaçao com telemóveis e isqueiros. Your jokes are my favourites, diz o Anjo entre-dentes, que os Anjos também podem ser irónicos. - To marry me (sic), diz a voz, já quase ninguém ouvir (nem o Anjo), e assim perdendo-se a piada que esteve a preparar toda a semana.
O pior: O rapaz exactamente atrás de mim acho que gritar UUU-AAA era a melhor forma de acabar cada uma das músicas (curiosamente aplicando a mesma receita ao pouco inspirado Alasdair e ao Anjo que se seguiu). A namorada, ainda mais curiosamente, era da mesma opinião, e lá iam gritando os dois, por vezes alternadamente, por vezes em uníssono. Lembrei-me na altura que "E o burro viu o Anjo" seria um bom título para o que se passava ali.
(a imagem é mostrada apenas para confirmar a crença popular de que, não lhes sendo possível roubar a alma, os anjos aparecem nas fotografias apenas como clarão de luz)
domingo, maio 06, 2007
E pôr isto mais barato, não?
Acordo num daqueles dias em que penso que não tenho nada para ouvir, e vou à Fnac comprar 1 ou 2 cdzitos. Pouco tempo depois de ter entrado já decidi que o mais certo é não comprar nada: evito, por princípio, dar 4 ou 5 contos por um CD.
Procuro por exemplo o Kicking against the pricks, que já há bastante tempo me roubaram do carro e queria comprar novamente, e encontro-o a 19€: um cd com 20 anos! As novidades, essas, andas pelos 22 euros.
Enquanto o mercado de CD's definha, vendem-se DVD's, digo eu, como nunca se venderam cassestes VHS. Sera que é porque os DVD's aparecem, enquanto novidade, a vinte, vinte e tal euros, mas após algum tempo estão a 10, a 7 ou a 4,99?
Será possível que o iTunes seja um grande negócio a vender álbuns a 10 dólares e que não se consiga realmente vender, lucrativamente, um CD a menos de 20€, sendo que o suporte em si custa meia dúzia de tostões?
Acabo por sair de lá com 3 livros e um DVD, tudo por pouco mais do que me teria custado um CD. Não comprei CD nenhum. E a culpa, estou certo, é do emule e dos piratas.
Procuro por exemplo o Kicking against the pricks, que já há bastante tempo me roubaram do carro e queria comprar novamente, e encontro-o a 19€: um cd com 20 anos! As novidades, essas, andas pelos 22 euros.
Enquanto o mercado de CD's definha, vendem-se DVD's, digo eu, como nunca se venderam cassestes VHS. Sera que é porque os DVD's aparecem, enquanto novidade, a vinte, vinte e tal euros, mas após algum tempo estão a 10, a 7 ou a 4,99?
Será possível que o iTunes seja um grande negócio a vender álbuns a 10 dólares e que não se consiga realmente vender, lucrativamente, um CD a menos de 20€, sendo que o suporte em si custa meia dúzia de tostões?
Acabo por sair de lá com 3 livros e um DVD, tudo por pouco mais do que me teria custado um CD. Não comprei CD nenhum. E a culpa, estou certo, é do emule e dos piratas.
quarta-feira, maio 02, 2007
Senhor Pássaro de Corda
- Algures, numa terra distante, havia uma ilha de merda. Sem nome nem nada. Uma ilha de merda com a forma de um monte de merda. Ali cresciam palmeiras com uma forma de merda. E as palmeiras davam cocos que sabiam a merda. Mas ali também havia macacos que adoravam os cocos que sabiam a merda. E cagavam excremento de merda. A merda caía na terra, aumentava a camada de merda e as palmeiras de merda que ali cresciam eram cada vez mais de merda. Um círculo vicioso.
Bebi o resto do café.
- Aqui sentado a olhar para ti, lembrei-me da história da ilha de merda - disse eu a Noboru Wataya.
(Crónica do Pássaro de Corda, Haruki Murakami, p. 219)
ps: não que a passagem seja especialmente representativa da obra, mas apeteceu-me guardar este trecho porque pode ser útil para usar em alguma conversa no futuro.
domingo, abril 29, 2007
sexta-feira, abril 27, 2007
Tadinhos
Não alinho muito nestas guerras Norte/Sul, ou Porto/Lisboa, ou coisa que o valha. Mas neste país de Lisboa e o resto é paisagem, confesso que me dá um certo gosto ler coisas destas. Muito mal habituados, é o que é.
Lisboa ainda fica em Portugal
Eu concordo que o alvo dos concertos não deva ser somente Lisboa. Sei que é penoso ter de andar quilómetros, dormir no carro ou numa pensão manhosa, ou nem sequer dormir para assistirmos àquele espectáculo tão aguardado. E defendo que deve haver uma distribuição homogénea dos espectáculos pelo país, mas bolas, não os desviem de Lisboa. Dificilmente conseguirei ver Bonnie ‘Prince’ Billy em Braga ou uns Bad Seeds em Coimbra.
Lisboa ainda fica em Portugal
Eu concordo que o alvo dos concertos não deva ser somente Lisboa. Sei que é penoso ter de andar quilómetros, dormir no carro ou numa pensão manhosa, ou nem sequer dormir para assistirmos àquele espectáculo tão aguardado. E defendo que deve haver uma distribuição homogénea dos espectáculos pelo país, mas bolas, não os desviem de Lisboa. Dificilmente conseguirei ver Bonnie ‘Prince’ Billy em Braga ou uns Bad Seeds em Coimbra.
terça-feira, abril 24, 2007
Patrick Wolf
Desde que me conheço que evito a fila da frente. Nas festas em criança, quando apareciam os palhaços, evitava sentar-me à frente, receando ser chamado para participar em qualquer coisa. Nas aulas, apesar de ser bom aluno, nunca me juntei aos marrões que se sentavam nas primeiras filas, e optava por fazer amizades nas filas de trás com colegas que no ano seguinte já não estariam no mesmo ano que eu. Na universidade, mais do mesmo.
Nos concertos, no entanto, tento arranjar lugar lá na frente. Para poder ver melhor o que se passa em palco, claro, e já agora porque costumo tirar uma fotozita daquelas manhosas de telemóvel que coloco aqui, e se não estou nas primeiras filas a qualidade é ainda pior. Infelizmente, como se torna difícil comprar bilhetes logo que sei que estão à venda, nem sempre o consigo. O concerto de Patrick novo-David-Bowie Wolf, no entanto, foi uma excepção: os bilhetes foram comprados apenas a uma semana da data, mas acabei por me sentar na fila A do novo Teatro Circo, algo que ainda não tinha feito. A primeira impressão não é a mais favorável: quando o Sr. Lobo entra e se senta ao piano, notamos que a disposição das colunas de som não está pensada para as primeiras filas. Com o decorrer do concerto, no entanto, o ouvido habitua-se e as vantagens de ver tudo a acontecer à nossa beira superam as desvantagens. O bilhete da Joanna Newsom diz fila B, por isso em breve estarei por ali novamente.
Leio por aí que pode ter sido dos últimos espectáculos de Patrick Wolf, que se vai despedir da música ainda este ano. Acredito, no entanto, que são apenas amuos próprios dos 23 anos, e que isso lhe vai passar.
O concerto foi curto, curtíssimo. Uma hora, ou pouco mais. O rapaz parecia mais confiante do que quando o vi na Feira (também ele agora se sentará nas primeiras filas, imagino), mas ainda assim esteve pouco falador. Explicou-nos que não havia músicas ao ukelele porque a TAP, em quem podemos sempre confiar para essas coisas, perdeu as malas; mas não nos explicou que teve também de andar por Lisboa à procura de roupa, e que acabou por encontrar numa loja para adolescentes (no feminino, claro). Das poucas vezes que falou foi para nos contar como Railway House foi inspirado numa casa que ocupou com um rapazito com quem foi muito feliz (bem, rapazito estou eu, preconceituoso, a assumir).
Num alinhamento que privilegiou, como seria de esperar, o novo álbum, os momentos da noite foram Tristan e The Magical Position. Nesta última sugeriu ao público que se levantasse para dançar; de início não pegou, mas bastou levantar-se a primeira para em poucos segundos ter dezenas de teenagers meio histéricas aos saltos entre mim e o palco. Até pensei que tinha ouvido mal quando ele disse que o concerto ia terminar, mas houve só tempo mais para um encore com Magpie e um Feels like I'm in love que repescou dos eighties, e estava a noite feita.
Ah, e as pernas branquíssimas da menina do violino (como se chama?) também mereceriam um post só para elas, mas não há tempo.
Nos concertos, no entanto, tento arranjar lugar lá na frente. Para poder ver melhor o que se passa em palco, claro, e já agora porque costumo tirar uma fotozita daquelas manhosas de telemóvel que coloco aqui, e se não estou nas primeiras filas a qualidade é ainda pior. Infelizmente, como se torna difícil comprar bilhetes logo que sei que estão à venda, nem sempre o consigo. O concerto de Patrick novo-David-Bowie Wolf, no entanto, foi uma excepção: os bilhetes foram comprados apenas a uma semana da data, mas acabei por me sentar na fila A do novo Teatro Circo, algo que ainda não tinha feito. A primeira impressão não é a mais favorável: quando o Sr. Lobo entra e se senta ao piano, notamos que a disposição das colunas de som não está pensada para as primeiras filas. Com o decorrer do concerto, no entanto, o ouvido habitua-se e as vantagens de ver tudo a acontecer à nossa beira superam as desvantagens. O bilhete da Joanna Newsom diz fila B, por isso em breve estarei por ali novamente.
Leio por aí que pode ter sido dos últimos espectáculos de Patrick Wolf, que se vai despedir da música ainda este ano. Acredito, no entanto, que são apenas amuos próprios dos 23 anos, e que isso lhe vai passar.
O concerto foi curto, curtíssimo. Uma hora, ou pouco mais. O rapaz parecia mais confiante do que quando o vi na Feira (também ele agora se sentará nas primeiras filas, imagino), mas ainda assim esteve pouco falador. Explicou-nos que não havia músicas ao ukelele porque a TAP, em quem podemos sempre confiar para essas coisas, perdeu as malas; mas não nos explicou que teve também de andar por Lisboa à procura de roupa, e que acabou por encontrar numa loja para adolescentes (no feminino, claro). Das poucas vezes que falou foi para nos contar como Railway House foi inspirado numa casa que ocupou com um rapazito com quem foi muito feliz (bem, rapazito estou eu, preconceituoso, a assumir).
Num alinhamento que privilegiou, como seria de esperar, o novo álbum, os momentos da noite foram Tristan e The Magical Position. Nesta última sugeriu ao público que se levantasse para dançar; de início não pegou, mas bastou levantar-se a primeira para em poucos segundos ter dezenas de teenagers meio histéricas aos saltos entre mim e o palco. Até pensei que tinha ouvido mal quando ele disse que o concerto ia terminar, mas houve só tempo mais para um encore com Magpie e um Feels like I'm in love que repescou dos eighties, e estava a noite feita.
Ah, e as pernas branquíssimas da menina do violino (como se chama?) também mereceriam um post só para elas, mas não há tempo.
quinta-feira, abril 12, 2007
Esclarecimento
Para futura entrevista na RTP, esclareço desde já o seguinte:
1) Apesar de nunca ter entregue relatório de estágio, concluí a licenciatura após 3 anos do início do estágio, ficando com nota a essa cadeira igual à média de curso. Que eu saiba, esse tratamento é normal e não me foi concedido extraordinamente tendo em vista algum cargo relevante que pudesse vir a ocupar no futuro (e que aliás ainda aguardo)
2) Durante esse período, apesar de ainda faltar o tal relatório de estágio, é possível que num balcão de banco ou no quiosque da minha rua me tenham já chamado doutor, e que eu nem sempre os tenha corrigido.
3) É também possível que me tenham até chamado Engenheiro, apesar de o meu curso não ser uma engenharia. Nesses casos tentei sempre portar-me educadamente, e nunca retribuí o insulto.
4) Não fui a todas as aulas na Universidade, nem coisa que se pareça. Aliás, não me arrependo de poucas vezes lá ter posto os pés
5) Encontrei mais tarde uma colega que descobri ser do meu curso de licenciatura, e até do mesmo ano. Essa colega a princípio não acreditou, porque disse nunca me ter visto por lá. É possível: ver ponto anterior.
6) No meu currículo académico aparece, por exemplo, um 16 a Recursos Humanos no 5º ano. Se o regente dessa cadeira disser que não me conhece, é normal: eu também não faço a mínima ideia quem seja o senhor. Na altura estava demasiado entretido a crescer (para dar conta do que estava a acontecer) em Mikkeli, Finlândia. A equivalência para uma outra cadeira do programa do curso é normal no Erasmus, e não foi favor nenhum especial que me fizeram.
7) Se me pedirem recibos das propinas pagas há dez anos provavelmente não os vou encontrar.
8) Não faço ideia se me lançaram alguma nota em Agosto, ou se me passaram alguma declaração a um Domingo, ou se enviei alguma carta ao reitor em dia de lua cheia.
1) Apesar de nunca ter entregue relatório de estágio, concluí a licenciatura após 3 anos do início do estágio, ficando com nota a essa cadeira igual à média de curso. Que eu saiba, esse tratamento é normal e não me foi concedido extraordinamente tendo em vista algum cargo relevante que pudesse vir a ocupar no futuro (e que aliás ainda aguardo)
2) Durante esse período, apesar de ainda faltar o tal relatório de estágio, é possível que num balcão de banco ou no quiosque da minha rua me tenham já chamado doutor, e que eu nem sempre os tenha corrigido.
3) É também possível que me tenham até chamado Engenheiro, apesar de o meu curso não ser uma engenharia. Nesses casos tentei sempre portar-me educadamente, e nunca retribuí o insulto.
4) Não fui a todas as aulas na Universidade, nem coisa que se pareça. Aliás, não me arrependo de poucas vezes lá ter posto os pés
5) Encontrei mais tarde uma colega que descobri ser do meu curso de licenciatura, e até do mesmo ano. Essa colega a princípio não acreditou, porque disse nunca me ter visto por lá. É possível: ver ponto anterior.
6) No meu currículo académico aparece, por exemplo, um 16 a Recursos Humanos no 5º ano. Se o regente dessa cadeira disser que não me conhece, é normal: eu também não faço a mínima ideia quem seja o senhor. Na altura estava demasiado entretido a crescer (para dar conta do que estava a acontecer) em Mikkeli, Finlândia. A equivalência para uma outra cadeira do programa do curso é normal no Erasmus, e não foi favor nenhum especial que me fizeram.
7) Se me pedirem recibos das propinas pagas há dez anos provavelmente não os vou encontrar.
8) Não faço ideia se me lançaram alguma nota em Agosto, ou se me passaram alguma declaração a um Domingo, ou se enviei alguma carta ao reitor em dia de lua cheia.
quarta-feira, abril 11, 2007
Um príncipe em Braga
A noite começou mal. Uma desistência de última hora, com o bilhete há muito comprado, implicou uma nova contratação e atrasou a saída de casa. Para piorar a situação, a burrinha e mais a sua procissão (a quem não sabe a que me refiro sugiro uma estadia em Braga durante a Semana Santa, e vão ver que também ficam a adorar procissões) fecharam a Avenida Central e lotaram os parques em toda aquela zona. À hora marcada para o início do espectáculo ainda eu procurava estacionamento, com o meu bilhete e os de mais oito pessoas (que na altura, imagino, me insultavam à porta do Teatro Circo). Os outros bilhetes foram entregues a tempo, mas eu já só entrei um pouco depois de, segundo me dizem, Dawn McCarthy ter entrado pela mesma porta e iniciado o concerto, cantando a cappella mesmo ao lado de onde eu já deveria estar sentado. Deixei-a voltar ao palco, desci também o corredor (sem cantar a cappella) e discretamente procurei o meu lugar, que encontrei ocupado. Na fila atrás lá encontrei um lugar vazio e, menos mal, contra todas as probabilidades, acabei por ficar sentado ao lado de uma miúda gira e não de um cabeludo-barbudo-mau-aspecto como eu.
Ela, o Fauno, continuava a encantar em palco. Fabuloso, no sentido original da palavra. Ele, o Sátiro, de casaco de cabedal e barbicha mefistofélica, mais Fausto que Fauno, parece ao princípio um pouco deslocado. Quase como se, em vez de ter sido a guitarra a ser emprestada pelo Bonnie, nos tivesse anunciado antes: "Peço desculpa, mas o meu músico quebrou esta tarde, por isso tive que trazer este que um grupo de metal me emprestou". Mas não, continua-se a ouvir e não é nada disso: o duo é mesmo um duo, Nils encaixa ali perfeitamente; quando canta, ou quando sopra na flauta transversal, ou quando, teatralmente, é a voz do comboio em trânsito. E nós rendidos.
Depois veio o príncipe, e sinceramente não sei dizer se deu um bom concerto. Alguém que não o conhecia bem (como é possível?) diz-me que o concerto foi demasiado longo, ainda por cima quando "as músicas dele são todas iguais" (heresia!). Eu, confesso, há coisas em que não consigo ser imparcial: assim como o Simãozinho foi nitidamente derrubado (foi penalty, pois claro), também o Bonnie deu (pois claro) um grande concerto. Ok, entrou e foi ele próprio preparando o palco, meio desastradamente; as suas piadas podem não ser tão boas como isso ("a friend of mine is opening a maternity shop, and will call it We're fucked"); a guitarra nova não conhecerá tão bem os dedos como a anterior. Mas, senhores, é o Bonnie. São aqueles versos que ouvimos e re-ouvimos, ainda que o que ele ali nos mostre sejam na realidade covers e medleys das suas próprias criações, a ponto de tornar quase irreconhecíceis músicas que pensávamos reconhecer mesmo que tocadas de trás para a frente. Com ou sem Dawn the Faun, Bonnie foi sempre genial (o pobre coitado não sabe ser outra coisa). Entre genialidades, lá ficamos a saber que em breve vai passar muito mais tempo em Portugal, algures in a minor place, visto que, graças à Madonna ter copiado o O Let it be (na versão dela ficou Let It Will Be), se vai reformar com os royalties (não soubemos o resultado final do malmequer, mas tudo indica que virá sozinho).
Cá fora, o lugar para o carro que tanto me custou a encontrar era afinal num parque que fechava à meia noite. Que está fechado, portanto, e o carro lá ficará até de manhã. Mas, claro, há noites que por mais percalços que tenham não deixam de ser perfeitas.
Ela, o Fauno, continuava a encantar em palco. Fabuloso, no sentido original da palavra. Ele, o Sátiro, de casaco de cabedal e barbicha mefistofélica, mais Fausto que Fauno, parece ao princípio um pouco deslocado. Quase como se, em vez de ter sido a guitarra a ser emprestada pelo Bonnie, nos tivesse anunciado antes: "Peço desculpa, mas o meu músico quebrou esta tarde, por isso tive que trazer este que um grupo de metal me emprestou". Mas não, continua-se a ouvir e não é nada disso: o duo é mesmo um duo, Nils encaixa ali perfeitamente; quando canta, ou quando sopra na flauta transversal, ou quando, teatralmente, é a voz do comboio em trânsito. E nós rendidos.
Depois veio o príncipe, e sinceramente não sei dizer se deu um bom concerto. Alguém que não o conhecia bem (como é possível?) diz-me que o concerto foi demasiado longo, ainda por cima quando "as músicas dele são todas iguais" (heresia!). Eu, confesso, há coisas em que não consigo ser imparcial: assim como o Simãozinho foi nitidamente derrubado (foi penalty, pois claro), também o Bonnie deu (pois claro) um grande concerto. Ok, entrou e foi ele próprio preparando o palco, meio desastradamente; as suas piadas podem não ser tão boas como isso ("a friend of mine is opening a maternity shop, and will call it We're fucked"); a guitarra nova não conhecerá tão bem os dedos como a anterior. Mas, senhores, é o Bonnie. São aqueles versos que ouvimos e re-ouvimos, ainda que o que ele ali nos mostre sejam na realidade covers e medleys das suas próprias criações, a ponto de tornar quase irreconhecíceis músicas que pensávamos reconhecer mesmo que tocadas de trás para a frente. Com ou sem Dawn the Faun, Bonnie foi sempre genial (o pobre coitado não sabe ser outra coisa). Entre genialidades, lá ficamos a saber que em breve vai passar muito mais tempo em Portugal, algures in a minor place, visto que, graças à Madonna ter copiado o O Let it be (na versão dela ficou Let It Will Be), se vai reformar com os royalties (não soubemos o resultado final do malmequer, mas tudo indica que virá sozinho).
Cá fora, o lugar para o carro que tanto me custou a encontrar era afinal num parque que fechava à meia noite. Que está fechado, portanto, e o carro lá ficará até de manhã. Mas, claro, há noites que por mais percalços que tenham não deixam de ser perfeitas.
terça-feira, abril 10, 2007
Quorum nos referendos
Luis Aguiar-Conraria, professor de economia da UM, escreveu uma interessante coluna no caderno de Economia de dia 30 do Público (que encontrei também no seu blog), e vem novamente explicar aquilo que o Pedro Magalhães, por exemplo, já tinha explicado aqui: que a bem intencionada regra consitucional que exige 50% de participação nos referendos para que se tornem vinculativos pode levar, paradoxalmente, a uma diminuição da participação.
De facto, em alguns casos o lado que sente que vai perder pode apelar à abstenção, e assim transformar, pelo menos, uma derrota vinculativa numa derrota não vinculativa. Aliás, se pensarmos que, devido aos eleitores fantasmas, a percentagem exigida é na prática bastante superior aos 50%, percebe-se que a táctica da abstenção pode frequentemente ser uma boa opção para quem quer manter o status quo. Como explica Aguiar-Conraria, mais 600 mil votantes no Não no último referendo teriam tornado o referendo vinculativo (com vitória do Sim), e evitavam-se as ameaças de Cavaco de veto à lei do Aborto.
O objectivo seria, então, algo que garantisse a (necessária?) representatividade mínima da votação, mas evitando que a abstenção pudesse ser a táctica de um dos lados. A solução pode passar então por algo muito simples: em vez de exigir 50% de participação, passa-se a exigir apenas que o lado ganhador tenha 25% do total. Assim de repente, diria que caem por terra os incentivos à abstenção. As melhores soluções são frequentemente, como se sabe, as mais simples.
PS: Do pouco que percebi pela leitura na diagonal, no entanto, o artigo referido pelo Pedro Magalhães prova matematicamente que um quorum de aprovação tem na verdade o mesmo efeito que um quorum de participação. O que tiro disso é que, com um quorum de aprovação, o status quo pode ainda assim preferir não mobilizar os seus eleitores, e portanto a taxa de participação será baixa; tenho de ler melhor, mas acredito que, num cenário de pelo menos 25% de aprovação, o status quo vai tentar, no mínimo, "perder por poucos".
De facto, em alguns casos o lado que sente que vai perder pode apelar à abstenção, e assim transformar, pelo menos, uma derrota vinculativa numa derrota não vinculativa. Aliás, se pensarmos que, devido aos eleitores fantasmas, a percentagem exigida é na prática bastante superior aos 50%, percebe-se que a táctica da abstenção pode frequentemente ser uma boa opção para quem quer manter o status quo. Como explica Aguiar-Conraria, mais 600 mil votantes no Não no último referendo teriam tornado o referendo vinculativo (com vitória do Sim), e evitavam-se as ameaças de Cavaco de veto à lei do Aborto.
O objectivo seria, então, algo que garantisse a (necessária?) representatividade mínima da votação, mas evitando que a abstenção pudesse ser a táctica de um dos lados. A solução pode passar então por algo muito simples: em vez de exigir 50% de participação, passa-se a exigir apenas que o lado ganhador tenha 25% do total. Assim de repente, diria que caem por terra os incentivos à abstenção. As melhores soluções são frequentemente, como se sabe, as mais simples.
PS: Do pouco que percebi pela leitura na diagonal, no entanto, o artigo referido pelo Pedro Magalhães prova matematicamente que um quorum de aprovação tem na verdade o mesmo efeito que um quorum de participação. O que tiro disso é que, com um quorum de aprovação, o status quo pode ainda assim preferir não mobilizar os seus eleitores, e portanto a taxa de participação será baixa; tenho de ler melhor, mas acredito que, num cenário de pelo menos 25% de aprovação, o status quo vai tentar, no mínimo, "perder por poucos".
quinta-feira, abril 05, 2007
Deep South
Parecendo que não, parando por momentos o zapping na Oprah pode-se aprender alguma coisa. Segunda-feira, por exemplo, aprendi que as Dixie Chicks, na altura da invasão ao Iraque, no topo da fama, disseram num concerto que eram contra a guerra, e algo como ter vergonha de aquele presidente ser do Texas. A partir daí, as vendas desceram a pique, as salas ficaram vazias, eram recebidas com cartazes com "Traidoras" e "Comunistas". Alguns entrevistados defendiam que claro que há liberdade de expressão e tal, mas não é para ser usada no estrangeiro (o problema, parece, foi ter sido dito no estrangeiro).
É realmente uma terra curiosa, o sul profundo dos US of A.
É realmente uma terra curiosa, o sul profundo dos US of A.
domingo, abril 01, 2007
Ele e ela 3
Tinha-me queixado da falta de reportagens sobre concertos na nova Blitz. Segundo o Vítor Junqueira continua igual. Mais uma razão para eu continuar a não a comprar.
Ainda o NÃO...
Os defensores do NÃO ainda continuam a supreender. Segundo notícia do Público defendem que Cavaco Silva devia vetar a lei, com este argumento peregrino que não precisa de comentários:
“Fomos um milhão e 500 mil portugueses que dissemos não a esta lei. Mas se a nós juntarmos mais um por nascer por cada voto nosso, teremos seguramente mais de três milhões de portugueses”, afirmou Isilda Pegado, em nome dos movimentos do “não”.
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