sexta-feira, outubro 07, 2005

Boas notícias para Alegre?

Para quem pensava que era muito difícil ganhar eleições sem um partido por trás, estas eleições autárquicas vêm provar o contrário.
A maioria das câmaras mais importantes do país (pelo menos a julgar pela cobertura televisiva) poderão ser conquistadas por candidaturas independentes. Falo, é claro, de Amarante, Felgueiras, Gondomar, Oeiras.

sexta-feira, setembro 30, 2005

O meu mundo...

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sábado, agosto 27, 2005

Abordagem de fenómenos psíquicos

"Não há dúvida de que alguns dos acontecimentos registados em sessões espíritas são autênticos. [...] O autor viu pessoalmente uma mesa a levantar-se, e o Dr. Joshua Fleagle, de Harvard, assistiu a uma sessão em que a mesa não só se levantou como apresentou as suas desculpas e foi para a cama. "

Woody Allen, Sem Penas

quinta-feira, agosto 25, 2005

A(s) fraude(s) no caso Piano Man

O caso do pianista misterioso está (?) resolvido.
O homem que agora sabemos chamar-se Andreas Grassl apareceu há cerca de 4 meses numa praia do Reino Unido. Sugeriu-se que seria um náufrago e que se tratava de um pianista prodigioso: quando lhe apresentaram um papel e lápis, visto que não falava, imediatamente desenhou um piano; encontraram-lhe um piano, e ele tocava "genialmente" por períodos de longas horas.
Durante 4 meses, os melhores psicólogos do Reino Unido não conseguiram arrancar-lhe uma palavra, a polícia não consegui descobrir nada, os jornalistas também não.
Há dias, de repente, o homem falou. Segundo o Daily Mirror, disse que era alemão e que tinha perdido o seu emprego em França. Foi para Inglaterra de comboio pelo canal da mancha, e tinha tentado suicidar-se quando foi encontrado. Desenhou um piano porque foi a primeira coisa que lhe passou pela cabeça, e apenas teria tocado umas notas à sorte.
Esta versão, repetida pela generalidade dos jornais e televisões portugueses, é agora desmentida pelo hospital, pelo seu advogado, pela sua família, pelo próprio, segundo os quais Andreas esteve realmente amnésico, e melhorou com o tratamento. Alguns dos psicólogos, no entanto, falavam em processar o alemão.
Ficam as perguntas: será o alemão uma fraude? se sim, não serão os tais "melhores" psicólogos que não detectaram nada durante 4 meses uma fraude também? e a polícia que nada descobre, uma fraude? e os jornalistas de investigação? e os media, que veicularam as notícias sem grande filtro (tanto a notícia original como, pior ainda, a do Daily mirror), serão uma fraude?
No caso dos media portugueses, aliás, já observamos recentemente um comportamento semelhante no caso do arrastão. Sobre isto, ver o excelente (ainda que pouco isento, sem dúvida) trabalho de Diana Andringa em "Era uma vez um arrastão".

E daqui a 20 anos?

Há uns 20 / 30 anos, ou até menos, quem saía precocemente da escola tinha boas probablidades de acabar numa linha de produção de uma qualquer fabriqueta. Têxtil, na zona onde moro. Pelo que vejo à minha volta, esta probablidade era bastante maior para as mulheres.
Agora que o nosso país parece ter desistido dessa actividade dura, trabalhosa e poluente que é a indústria, para nos tornarmos um país de serviços, estes empregos têm vindo a desaparecer. Por um lado, isto nota-se quando uma fábrica encerra gerando desempregados nos seus 40/50 anos que não têm alternativa de emprego. Por outro lado, significa que os (ou, maioritariamente, as) jovens que saem agora com escolaridade mínima ou pouco mais se empregam como empregadas de lojas, e não já como operárias fabris. Tenho reparado nisso em vários colegas meus, que encontro a trabalhar nas benetton's ou outras que tais.
Ao contrário das fábricas têxteis, no entanto, parece-me que as benetton's apresentam uma característica que se pode transformar num problema social no médio prazo. Uma operária textil continua a produzir até se reformar, inclusivé com aumentos de produtividade decorrentes da experiência. Numa benetton, o que se pretende é meninas bonitas e jovens que atraiam clientes e que tornem a tarde de maridos obrigados a acompanhar mulheres às compras um pouco menos dolorosa.
A pergunta é então: quando, brevemente, esta geração de empregados(as) de lojas deixar de encaixar no perfil "bonito e jovem", para onde vão trabalhar?

Estará relacionado?

2 notícias no última hora do público de hoje:
  • Mário Soares anuncia candidatura a Belém no dia 31 em Lisboa
  • Governo aprova hoje aumento da idade de reforma na função pública

terça-feira, julho 26, 2005

Ainda bem que foi cremado...

... ou estaria agora a revirar-se no túmulo.
É sabido que Álvaro Cunhal, elogiado por todos pela sua coerência ao longo da vida, teve de engolir o seu maior sapo quando apelou ao voto em Soares, adversário de longa data (basta ler algum livro de Cunhal sobre o período revolucionário para perceber como eles se davam bem).
Brevemente, ao que parece, a água passará duas vezes debaixo da mesma ponte, e o seu partido será obrigado, numa eventual segunda volta presidencial, a apelar ao voto no fixe do Soares. Cavaco oblige.
Ironicamente, apoiar Soares pode até ser um mal menor, pois perfilava-se a possibilidade de o candidato socialista, a quem (quase) toda a esquerda inevitavelmente apoia no final, ser nada mais nada menos que o opositor de Soares em 1986 (o tal que o sapo permitiu evitar). Nesse caso, parece-me que não só se revirava no túmulo, mas se levantava e voltava para o exílio, que este país não o merece.

quinta-feira, julho 21, 2005

Campos e Cunha abandona Governo ao fim de 130 dias

Quem ouvia falar o Ministro das Finanças, independentemente de concordar com as suas medidas ou não, notava que não parecia um político normal a falar. Explicava as decisões racionalmente, com argumentos lógicos. Estranhamente, aquilo parecia fazer algum sentido. E digo estranhamente porque não é todos os dias que se ouve um político começar um raciocínio e desenvolvê-lo com início, meio e fim.
Notava-se que não ia durar muito.

sexta-feira, julho 08, 2005

O 7 de Julho

Ontem, quatro explosões de origem terrorista no centro de Londres tiveram como trágico balanço a morte de várias pessoas, cujo número se estima vir a chegar à meia centena, e cerca de 700 feridos. Ao contrário do que aconteceu em Madrid, ninguém se lembrou de culpar o IRA; todos perceberam imediatamente que algum tentáculo da Al-Qaeda estaria por trás do atentado. O mundo está diferente, para pior, muito pior.
A primeira vez que fui a Londres, ainda criança, há uns 15 anos, lembro-me de ter ficado com a impressão que um ataque terrorista estava ali sempre iminente. Cartazes avisando para o perigo de malas abandonadas apareciam em todas as estações do metro, algo a que só me habituei mais recentemente a ver em todos os aeroportos. Numa das viagens no metro, alguns de nós defendiam que seguir por uma linha seria mais perto, enquanto outros votavam por outra (sem saber que o mapa do metro de Londres é esquemático, sem correspondência com as distâncias reais); para desempatar, decidimos que cada grupo seguiria pela sua linha. O meu grupo perdeu porque a meio a linha estava cortada por ameaça de bomba; nunca saberei quem tinha razão.
Anteontem, a mesma Londres foi escolhida para sede dos Jogos Olímpicos de 2012, sendo a primeira cidade a acolher os Jogos por 3 vezes. De manhã cedo, as notícias indicavam que 3 das cidades candidatas, Moscovo, Nova Iorque e Madrid, estavam excluídas da corrida, e os comentadores eram unânimes em afirmar que o principal critério para a exclusão se prendia com questões de segurança e com o perigo de atentados terroristas nessas cidades. Na disputa final com Paris, Londres ganhou por 54 contra 50 votos.
Sei que os dias do IRA estarão para trás, mas ainda assim custou-me imaginar Londres como a cidade menos sujeita a actos terroristas. Além disso, depois do 11 de Setembro e do 11 de Março, Blair era o único líder dos presentes na reunião que decidiu a guerra que ainda não tinha sido vítima da Al-Qaeda dentro de portas.
Resta-nos esperar que ninguém se lembre quem foi o mestre-de-cerimónias desse encontro, e que em Portugal a palavra terrorista continue a ser utilizada apenas para significar criança irrequieta.

quarta-feira, julho 06, 2005

"Novo" código da estrada

Quando há uns meses se começou a falar do novo código de estrada, tentei perceber o que teria sido modificado. Portugal é conhecido pela sua enorme sinistralidade rodoviária, e por isso há certamente muito onde melhorar. Pelo que nos foi feito chegar pelos meios de comunicação, no entanto, a grande novidade do "novo" código prende-se com o duplicar do valor previsto para as coimas.
Um novo código implicou, imagino, pessoas pagas especialmente para o preparar. Especialistas, imagino. Estamos assim tão bem que a única melhoria que estes especialistas foram capazes de introduzir foi o aumento das coimas? , pensei. Não há uma única ideia, mais ou menos inovadora, para diminuir as mortes nas estradas?
A semana passada, no entanto, entrou em vigor uma das medidas do código: a obrigatoriedade de utilização de colete reflector quando se sai da viatura (por exemplo, para mudar um pneu, ou na eventualidade de um acidente). Ao ver os primeiro acidentados vítimas desta medida, compreendi finalmente que esta é sem dúvida uma optima ideia capaz de realmente diminuir o número de acidentes. Quem já viu o ridículo que ficam dois adultos a discutir um acidente vestidos de laranja fluorescente percebe o que eu quero dizer; sabendo que terá de vestir este colete em caso de acidente, os portugueses serão certamente mais cuidadosos na sua condução.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Esquerda sobe

Há 5 meses, escrevi (e ainda sem saber a ajuda que Santana Lopes viria dar) que a eleição de Sócrates para secretário-geral do PS poderia ser boa notícia para os principais partidos de esquerda (leia-se PCP e BE), se estes o soubessem aproveitar. Ambos subiram nestas eleições, e juntos representam agora 14% do eleitorado. Quem disse, quem disse? :)
Um amigo perguntava-me ao almoço quem teria perdido votos para permitir a subida da CDU(mais uns 70.000 votos). O eleitorado PSD/PP, por muito descontente, certamente não teria votado nesses monstros que comem criancinhas; o BE mais do que duplicou a sua votação, e portanto também não foram eles os culpados; o PS, que atingiu a maioria absoluta pela primeira vez, também não parece ter perdido votos.
Só uma análise cuidada das sondagens o pode confirmar (já que normalmente se pergunta também em quem votaram os inquiridos nas eleições anteriores), mas parece-me que a transferência se deu do PSD para o PS, mas também, em parte, do PS para o CDU ou BE: alguns eleitores do PS que se consideram de esquerda não se identificarão com Sócrates, e outros (falei com vários) são contra maiorias absolutas, e votaram mais à esquerda na tentativa de a evitar.

Proporcionalidade

Novamente, as eleições deste fim-de-semana revelam os problemas do método de Hondt.
Para os seus 120 deputados, o PS, o partido mais votado, precisou de 2.573.311 votos, o que dá uma média de 21.624 votos por deputado. O BE, o menos votado dos partidos com acento parlamentar, precisou de 364.296 para 8 deputados: 45.537 votos por deputado, mais do dobro do PS! Os votos no PCTT/MRPP (47.745) seriam no PS suficientes para 2 deputados, mas o MRPP ficou sem nenhum.
Ou ainda: com 45% dos votos, o PS obteve 53% dos deputados (120 em 226, estando para já excluídos os círculos internacionais). Com 6,4% dos votos, o BE obteve 3,5% dos deputados.
Para quando uma outra solução, como a existência de um círculo nacional extra, que permita garantir a proporcionalidade e a verdadeira representatividade do parlamento?

Demissionários e resistentes

As manchetes de hoje apelidam o líder do PP de demissionário, e o líder do PSD de resistente. Ontem, Paulo Portas anunciou que chegou o fim de um ciclo e a hora de sair, enquanto Santana Lopes convoca um congresso extraordinário mas mantém para já o tabu da recandidatura.
Na verdade, penso que o cenário se mostrará exactamente o oposto: o "demissionário" Paulo Portas não resistirá à vaga de fundo que certamente aparecerá a pedir que continue a liderar o partido, e mais cedo ou mais tarde certamente estará de volta (se chegar a sair); o "resistente" Santana Lopes, e a ver pelos abutres que já sobrevoam os corpos ainda quentes, não parece capaz de resistir por muito tempo.

Antigamente

Nas eleições deste fim-de-semana efectuaram-se algumas experiências de voto electrónico, nas 5 freguesias onde votam o Presidente da República e os líderes dos 5 partidos com acento parlamentar. Na freguesia de Santos (Lisboa) votaram Pedro Santana Lopes e Paulo Portas. À saída, Portas disse aos jornalistas que a votação electrónica tinha corrido bem, mas que preferia as coisas à moda antiga, com papel e caneta.
"Preferia as coisas à moda antiga". E ainda dizem que já não há diferença entre direita e esquerda! Querem melhor definição?

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Disciplina inter-partidária

De acordo com o que ouvi de Paulo Portas, PP e PSD comprometeram-se a que cada um não criticará em público medidas tomadas pelo outro.
A disciplina partidária sempre me fez confusão, mas um acordo destes entre partidos a concorrerem separadamente a eleições ainda me parece mais estranho.

Partidocracia

Em países onde a democracia está mais avançada é comum saber-se, antes da eleições e de parte de cada partido, a quem seriam atribuídos os ministérios. Mais: em algumas tradições democrátivas, o(s) partido(s) da oposição formam um governo-sombra, mais ou menos oficial; por exemplo, as críticas às medidas ambientiais serão nesta lógica realizadas preferencialmente pelo ministro-sombra do ambiente, especialista na matéria.
As vantagens de saber antecipadamente em que executivo estamos a votar parecem-me, em termos de democracia, óbvias. Infelizmente, nem toda a gente pensa assim: José Sócrates, por exemplo, veio dizer que anunciar antecipadamente os ministros do seu governo seria arrogante, e passaria a imagem de que "já ganharam". E assim vai a nossa partidocracia, em que os eleitores se vêm obrigados a votar num partido sem conseguir associar-lhe caras, e mantendo-se assim o afastamento geral da população da política (e dos políticos) que todos dizem querer combater.
Afirmações como as de Sócrates parecem-me hoje em dia inaceitáveis; afinal, a nossa "jovem" democracia passou já dos 30 anos, e estava na altura de se tornar adulta.

terça-feira, setembro 28, 2004

José Sócrates novo secretário geral PS

Más notícias para a esquerda portuguesa: José Sócrates é o novo secretário geral do Partido Socialista.
O maior partido de esquerda em Portugal decidiu, por esmagadora maioria, virar à direita. Ferro Rodrigues podia não ser muito telegénico, mas, ideologicamente, parecia mais adequado a um partido que se apelida de "socialista". Com Sócrates, considerado o nosso Tony Blair, o socialismo volta para a gaveta. A dúvida é se o novo PS consegue conquistar eleitores ao centro e ao mesmo tempo manter a fidelidade dos eleitores de esquerda.

Más notí­cias para o PSD: José Sócrates é o novo secretário geral do Partido Socialista.
O novo PS vai atacar o centrão e certamente roubar ao PSD eleitores descontentes com a sua governação. Sociais-democratas moderados que não se revêm num governo com Paulo Portas têm agora uma alternativa.

Más notícias para o PP: José Sócrates é o novo secretário geral do Partido Socialista.
Com várias eleições à vista, e não podendo arriscar perder o tal centrão, algumas políticas de direita do governo terão de ficar para trás, e os ministros PP terão necessariamente de perder alguma influência.

Boas notícias para os partidos de esquerda: José Sócrates é o novo secretário geral do Partido Socialista.
PCP e (principalmente, parece-me) BE, sairão certamente beneficiados por este virar à direita do PS. Parte dos 20% de Manuel Alegre (assumindo que essa percentagem se reflecte também no paí­s real), sentir-se-ão mais identificados com Francisco Louçã do que com José Sócrates. Descontentes com o rumo do seu partido, alguns optarão por votar mais à esquerda. Cabe a estes partidos saber aproveitar este buraco deixado pelo PS, empurrando-o cada vez mais para a direita.

terça-feira, setembro 07, 2004

Borboleta

Não sendo exactamente grande fã de programas do género, vi parte do programa Ídolos da SIC na semana passada (que penso ter sido o ínicio desta nova série). Só um aviso: fiquem atentos à Luciana, que brevemente será sem dúvida uma estrela da nossa TV. E olhem que não costumo falhar...

IVG (e o papel do pai)

O Borndiep, o "barco do aborto", veio relançar a discussão sobre a interrupção voluntária da gravidez (dentro do possível num país onde pouco ou nada se discute).
Nesta discussão, queria só discordar de algo que tem ultimamente merecido unanimidade, e que não me parece que a mereça. É agora politicamente correcto afirmar que a IVG é um assunto apenas da mulher: as mulheres defendem-no, os homens defendem-no também. É segundo esta lógica que, e simplificando, uma das consequências da vitória do "Sim" no referendo de há uns anos seria que uma mulher poderia ir ao seu médico, sozinha, e (dentro dos prazos, claro) solicitar a interrupção da gravidez.
A minha discordância vai para o sozinha: será mesmo aceitável que uma mulher casada possa optar por abortar sem sequer informar o marido? Apesar de ser a mulher a transportar o feto no ventre, não é o filho de ambos? Não deveria o marido (e falo pelo menos nos casos de mulheres casadas, pois admito que nos restantes será mais complicado) ter uma palavra a dizer, e o aborto ser realizável apenas se ambos os cônjuges concordarem?

Da Rússia e do ocultar de informação

A tragédia abateu-se sobre a cidade de Beslan, na Ossétia do Norte.
Ao longo do decorrer do sequestro, foi notória a falta de informação oficial sobre o que se estava a passar; segundo alguns analistas, resquícios ainda de hábitos adquiridos durante os anos de comunismo na URSS.
Neste momento, ao que sei, fala-se em possivelmente 600 vítimas mortais. Inicialmente as autoridades referiam 300 reféns, quando agora se pensa que podiam ser 1500. Mentiras descaradas das entidades oficiais, sem dúvida resultantes de "hábitos adquiridos durante os anos de comunismo".
Altura de questionar este raciocínio: não haveria ocultação e mentira por parte das entidades oficiais na rússia czarista? não existe ocultação e mentira na rússia do capitalismo selvagem deste início do século xxi? não será que, afinal, o "comunismo" pode não ser o culpado?