quinta-feira, junho 08, 2006

Undertow orchestra

Foi na Terça-feira passada. A noite começou com Oliver Paine (ou Gonçalo Serras, como lhe chamam lá em casa). Parece bom rapaz, mas a nível musical não tenho muito de simpático a dizer sobre ele (são gostos). Começou por dizer que é um músico ainda anónimo, a trabalhar para deixar de o ser. E ainda tem muito que trabalhar, na verdade. Em primeiro lugar parece-me que tem que decidir que caminho quer percorrer: se quer ser o Chris de Burgh português, ou um novo Elton John, ou se se vira para o Tom Waits, ou para Edith Piaf. Mas há que percorrer algum caminho, porque onde está não está nada bem. Um colega que joga comigo futebol seria bem mais directo e diria: És fraco, fraco, fraco. Ah, e já agora, toda a gente percebeu a "piada" da orelha, só não acharam foi grande graça. No país que temos, ainda assim, não me admirava se o rapaz fosse em breve um caso de sucesso.
Não reparei nele dentro da sala, mas no intervalo o Burmester andava por lá. Cabe-lhe a ele, imagino, directamente ou indirectamente, a responsabilidade de garantir que a banda de suporte está enquadrada. Falhou, portanto.
Após o (merecido) descanso, o público foi recompensado com um grande espectáculo. os membros do supergrupo alternam cantando músicas suas, acompanhados pelos restantes elementos; na primeira ronda, tocaram-se três músicas de cada grupo.
O primeiro a entrar em cena foi David Bazan, com duas músicas de Pedro The Lion e uma terceira do projecto paralelo Headphones. Em seguida foi a vez de Will Johnson (que trouxe consigo Scott Danbom dos Centro-Matic, como teclista/violinista), sair de trás da bateria para trocar de posição com Bazan. À primeira vista parecia o mais tímido dos 4, mas acabou por ser, para mim, o que conseguiu os melhores momentos da noite.
Não consegui assistir ao concerto dos Centro-Matic há quinze dias em Famalicão, mas pareceu-me que Will Johnson disse que não correu muito bem: "it was a little weird there", referiu; agora, ao contrário, "it feels very nice". Ele e Eitzel acabaram por dizer que o local era "the best venue ever". E é: muito agradável a sala Guilhermina Suggia, apesar das cadeiras deslizantes e do dourado do órgão.
Vic Chesnutt teve também direito às suas 3 músicas, incluindo a metafórica Iraq. Mark Eitzel foi o último, e esteve ao nível do que já tinha mostrado no final do ano passado em Famalicão (com várias músicas repetidas, aliás). Seguiram-se, no mesmo formato, mais duas rondas, uma de duas músicas e outra de uma música por autor.
Entre outros comentários, houve ainda tempo para elogiar o vinho branco português ("much better than the mixture of tequilla and gasoline we have in Texas; and then they call it wine, and sell it for $8 a bottle; and we keep buying it..."), e também para Eitzel se confessar: "I am a gay man that always writes songs about women". No final, e apesar do próprio Bazan ter reconhecido que o concerto já ia muito longo, o público aplaudiu de pé. Só podia.

3 comentários:

Angelo Fernandes disse...

tens toda a razão em todas as considerações que fazes. quer quanto ao aspirante a josé cid quer quanto aos quatro (cinco) magnificos. no final tive o prazer de me encontrar com todos eles nos camarins e encontrei uns sujeitos que simplesmente pareciam que estava ali mais um amigo (sem me conhecerem de lado algum) foi fantástico.
coloquei os seus autografos no meu blog
www.oportugues.blogspot.com

Angelo Fernandes disse...

tens toda a razão em todas as considerações que fazes. quer quanto ao aspirante a josé cid quer quanto aos quatro (cinco) magnificos. no final tive o prazer de me encontrar com todos eles nos camarins e encontrei uns sujeitos que simplesmente pareciam que estava ali mais um amigo (sem me conhecerem de lado algum) foi fantástico.
coloquei os seus autografos no meu blog
www.oportugues.blogspot.com

Anónimo disse...

ler todo o blog, muito bom