quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Festival para Gente Sentada 2008

A segunda noite do 4º Festival para Gente Sentada começou com o talentoso Norberto Lobo. O homem é bom, mesmo muito bom, disso não deve ter ficado dúvidas a ninguém (mesmo aqueles, como eu, que de guitarra acústica não percebem nada). No entanto, como já tinha comentado no concerto dos Dead Combo a ausência de um vocalista sente-se, o que faz com que acabem por apenas resultar em primeiras partes, curtas. Pode ser injusto, mas a música do século XX habituou-nos assim. Foi, de resto, o que tivemos nessa noite (bem, aqui, a organização): um espectáculo curto que deixou o público com vontade de mais.

Joe Henry deveria ter sido o senhor seguinte, mas soube-se de véspera que estaria ausente, por doença. Havia quem o considerasse o verdadeiro cabeça de cartaz, mas pelo (pouco) que conheço nem esperava muito dele em palco. A notícia da sua ausência deverá ter feito muita gente lembrar-se do último FpGS, em que Emiliana Torrini (também teria sido a senhora do meio, também no segundo dia) faltou devido a gripe (sem substituição ou qualquer tipo de reembolso). Coincidências infelizes a que os responsáveis do festival certamente serão alheios, mas a verdade é que estas coisas podem afectar o nome do evento. Desta vez, no entanto, a notícia soube-se com um pouco mais de antecedência, o que permitiu à organização arranjar um substituto.

Entretanto, alguém atrás de mim perguntava, no final do Norberto, se aquele tinha sido o JP Simões; alguém lhe explicou que não, que "esse canta, em brasileiro mas canta". O substituto de Joe Henry foi mesmo, já se sabia, JP Simões, e quem melhor para um festival cujo público-alvo passa muito pelos da geração de 70 que podem ter casado ou mudado mas certamente não morreram nem desapareceram. O JêPê foi pedindo desculpas por estar ali à socapa, a tocar com uma guitarra (de Celeirós!) encontrada à última hora, e por, depois do Norberto, parecer um amador. Esteve muito bem, com o seu ar de não-decidi-ainda-se-gosto-de-estar-em-palco-ou-se-me-apetece-meter-num-buraco-porque-sou-tímido-demais a que já nos habituou. Ou quase esteve muito bem: faltou-lhe o "Se por acaso", e isso não lhe perdoo.

A festa estava reservada para o final, com o rockabilly de Richard Hawley. Aparentemente as pessoas só conheciam o The Ocean (passava na Antena 3?): quando, por exemplo, gritou "And now Tonight the streets are ours", parecia estar à espera de assobios e aplausos que não vieram. De vez em quando saía-se com um "This crowd is great" que me soava sempre irónico, e notava-se a desilução por aquilo ser um festival de gente (bem) sentada (a culpa não é dele: se esta gente não se levanta com o Serious, não se levanta com nada). Realmente, se fechássemos os olhos imaginaríamos mais facilmente, em vez de trintões sentados de braços cruzados, um baile algures nos fifties de meninas com vestidos às flores a dançar com rapazes borbulhentos de sapatos engraxados, gel no cabelo, e a estalar os dedos. Richard Hawley não é a música que ouço todos os dias, mas algumas músicas já guardei, junto ao "Fim do Mundo", para quando preciso mesmo de ficar bem disposto logo pela manhã.

Não pude ir na Sexta-feira desta vez, e tive pena. De resto a mesma frase dos últimos anos: esta não foi certamente a melhor edição de sempre, mas o festival continua vivo e recomenda-se.

PS: Não há concerto a que eu vá aqui pela zona (Teatro Circo, Casa das Artes, Casa da Música, Feira) que não esteja a mesma miúda de tranças (que não conheço) sentada no lugar central da 1ª fila. Este Sábado ela não estava lá. Desejo-lhe as melhoras.



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